Marco Rubio diz que “todos esperavam” por um 2º turno no Brasil
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a disputa pela Presidência da República no Brasil entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ir para o segundo turno era um resultado que “todos esperavam”.
Ao comentar a sua reação às eleições brasileiras, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos disse que espera ver “como as coisas se desenrolam” e confirmou que a Casa Branca acompanha de perto os resultados da votação marcada para o dia 25 de outubro. Rubio, que é descendente de imigrantes cubanos, é apontado como uma das figuras centrais na estratégia de expansão da influência política e diplomática de Washington sobre a América Latina no governo de Donald Trump.
A aproximação do secretário com nomes do bolsonarismo já acendeu alertas na diplomacia brasileira. Durante entrevista à âncora Christiane Amanpour, da CNN, o presidente Lula declarou estar “muito preocupado” com uma eventual interferência de Rubio e o uso de recursos de inteligência artificial no pleito. Na ocasião, às vésperas da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, o mandatário brasileiro pontuou que havia suspeitas sobre a postura do representante americano na política nacional.
A atuação de Marco Rubio na América Latina tem sido intensa, acumulando ao menos cinco viagens à região e ao Caribe, além de encabeçar a chamada “Coalizão das Américas contra os Cartéis” — também conhecida como Escudo das Américas. A iniciativa militar e de segurança começou com 12 países e já conta com 19 integrantes, servindo de sustentação para a agenda de segurança de fronteira do governo Trump e o combate à imigração ilegal. Dentre os membros, Colômbia, Equador e Paraguai já autorizaram a presença de tropas norte-americanas em seus territórios.
Além disso, Rubio lidera a frente diplomática sobre a Venezuela após o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro, articulando um plano de três fases focado em estabilização, recuperação e transição política em Caracas. O diplomata também coordena as pressões econômicas contra Cuba por meio do bloqueio petroleiro imposto este ano.
A movimentação da Casa Branca em relação ao Brasil reflete o interesse direto do próprio presidente Donald Trump, que declarou antes do primeiro turno que o pleito brasileiro é “muito importante” e que o acompanhava de perto.
Apesar das especulações de bastidores, a diplomacia americana rejeita acusações de ingerência política.
Após a divulgação do primeiro turno, Donald Trump voltou a se pronunciar em sua rede social, Truth Social, elogiando a agilidade da Justiça Eleitoral brasileira pela apuração de 125 milhões de votos no mesmo dia do pleito. O presidente norte-americano aproveitou o exemplo brasileiro para fazer críticas ao sistema eleitoral de seu próprio país, que realizará Eleições de Meio de Mandato em 3 de novembro.
Fonte: Brasil 247