Trump, mídia e comodismo vencem 1º turno

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Por Eduardo Guimarães — Brasil 247

Em 1985, em campanha à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso sentou-se na cadeira do então prefeito Mário Covas, a quem pretendia suceder, na véspera das eleições, as primeiras para as capitais desde a ditadura.

FHC havia aceitado uma sugestão de jornalistas para que posasse instalado no gabinete do prefeito, em 14 de novembro. Resultado: perdeu o pleito por pequena diferença para o adversário Jânio Quadros.

Em 4 de outubro de 2022, por volta das 21 horas, a linha do tempo do meu perfil do X contabilizava uma avalanche de postagens de eleitores decepcionados do Lula prometendo abandonar a luta no meio.

Não foi surpresa. Na campanha eleitoral de 2006, exatos vinte anos atrás, o Blog da Cidadania completava um ano de vida. Era, então, um dos primeiros blogs políticos do Brasil. E, de longe, o mais comentado. Postagens alcançavam 2, 3, 5 mil comentários.

Desde então, o Blog da Cidadania esteve no cenário político em TODAS as eleições sucedâneas, fossem municipais ou federais. Nunca, jamais houve eleição igual à de 2026.

Em cada uma das dez eleições municipais e federais desde então, a audiência do canal disparava, quadruplicava de tamanho. Em 2026, diminuiu. E a maioria dos veículos de esquerda viu o mesmo acontecer.

Há dois responsáveis por isso. O primeiro, as big techs americanas, que, sob ordem de Donald Trump, estão manipulando o engajamento da esquerda. Só isso já bastaria para prejudicar Lula e os outros candidatos do campo progressista. Mas há mais.

Enquanto o internauta de direita trabalha furiosamente mesmo nos momentos mais adversos, os da esquerda se dizem amargurados, desanimados, prometem “ir cuidar da vida”.

Isso começou na aurora do governo Dilma. A esquerda começou a brigar furiosamente entre si, já que a direita estava arrebentada pela eleição de 2010. E isso foi crescendo até que, em 2013, a esquerda chamou manifestações que tiraram a extrema-direita do armário.

O novo 2013 foi a onda de ataques de setores endinheirados da esquerda a Alexandre de Moraes. De dezembro do ano passado até maio deste ano, descobrimos que ele era o problema do Brasil e o sócio prioritário de Daniel Vorcaro.

Então apareceu o áudio de Flávio e o seu “irmãozão”. Mas não durou muito a trégua com Moraes. Em 1º de setembro, o Terrivelmente Evangélico o colocou na roda com uma investigação falsa com “provas” fajutas, as tais mensagens no “bloco de notas”.

Quase 30 milhões de brasileiros não foram votar no domingo. A esmagadora maioria ou era idosa ou era acomodada mesmo. Uma parte achava que o jogo estava ganho e a outra preferiu ir passear.

Eleição só acaba quando termina. Fim da escala 6×1 e detectar os focos dessa abstenção desproporcional da esquerda podem proporcionar uma virada espetacular. E pararem de espalhar desânimo ajudaria muito.

Fonte: Brasil 247

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