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05 Out 2026

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Passados oito anos desde a eleição de Jair Bolsonaro, a maré da extrema direita atingiu seu ponto mais alto neste domingo (4). Flávio Bolsonaro largou à frente de Lula no primeiro turno. O PL bateu recordes: a se confirmarem as projeções feitas com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), terá 28 senadores – a maior bancada de um só partido em mais de trinta anos – e 121 deputados federais – o maior número desde 1986, a primeira eleição geral depois do fim da ditadura, quando a oposição reunida no então PMDB fez 260 deputados.

Alguns dos principais personagens deste domingo passaram pelas páginas da piauí, em reportagens que ajudam a entender o momento que vivemos, e chegam a 2027 como figuras relevantes do Congresso.

Nikolas Ferreira (PL-MG)

Aos 30 anos, vai para o segundo mandato de deputado federal por Minas Gerais. Desde que chegou a Brasília, se mostrou uma peça importante na artilharia bolsonarista nas redes sociais. Suas postagens estridentes e chamativas conseguiram influenciar o debate público em diferentes momentos, sempre em benefício do campo bolsonarista. Foi assim na crise do Pix, em janeiro de 2025, quando um vídeo de Nikolas pôs o governo Lula nas cordas. Também foi assim na polêmica do detergente Ipê, em que o deputado ajudou a transformar uma questão trivial de fiscalização sanitária em um embate ideológico.

O perfil publicado pela piauí contou a história de Nikolas, do momento em que despertou para a política, em outubro de 2013, até a eleição de 2024, em que atuou como um importante puxador de votos para prefeitos e vereadores de todo o Brasil. O repórter João Batista Jr. acompanhou Nikolas durante aquela campanha e conversou com o deputado sobre suas ideias e sua atuação no Congresso. A reportagem pode ser lida aqui.

Erika Hilton (Psol-SP)

Com 1,6 milhão de votos, tornou-se neste domingo a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Vai para o segundo mandato. Filiada ao Psol, Erika tem princípios opostos aos de Nikolas, mas compartilha com ele a habilidade de se comunicar nas redes sociais e pautar o debate público. Descreve a si mesma como “uma política pop”, e costuma ser apontada como um símbolo de renovação da esquerda.

Nascida em Franco da Rocha, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, Erika foi expulsa de casa aos 16 anos. Sem teto e sem meios para sobreviver, se prostituiu em Itu, no interior do estado. Depois de se reconciliar com a mãe, voltou para casa, se dedicou aos estudos e começou a militar na política. Tornou-se vereadora de São Paulo em 2020 e, na eleição seguinte, ela e Duda Salabert (Psol-MG) foram as primeiras mulheres transgênero a conseguir uma vaga na Câmara. No perfil A camaleoa, publicado em agosto de 2024, a repórter Lara Machado contou as glórias e tragédias que formaram Erika – e como a deputada se tornou um canhão de comunicação da esquerda no Congresso. Leia aqui.

Guilherme Derrite (PP)

Embora filiado a um partido do Centrão, Derrite é uma figura em ascensão no bolsonarismo. Foi o candidato ao Senado mais votado em São Paulo neste domingo, com 13,2 milhões de votos. Ex-policial militar, é deputado federal desde 2019 e ganhou projeção nacional como secretário de Segurança Pública de São Paulo (2023-2025), nomeado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Sob sua gestão, as mortes causadas pela polícia tiveram um aumento expressivo. Entre 2023 e 2024, a Baixada Santista foi palco da operação mais mortífera da PM paulista desde o massacre de 111 presos no Carandiru.

O perfil de Derrite, publicado pela piauí em maio de 2024, joga luz sobre o seu passado desconhecido. Um levantamento feito pelo repórter João Batista Jr. mostra que o deputado e futuro senador foi investigado por dezesseis homicídios no tempo em que era policial. Sua letalidade era tão alta que o levou a ser afastado da Rota, a tropa de elite da PM de São Paulo, conhecida por seus métodos truculentos. A reportagem reconstitui as investigações e mostra como o ex-policial soube cavar seu espaço na política de São Paulo. Leia aqui.

Deltan Dallagnol (Novo-PR)

Deltan Dallagnol (Novo) está de volta ao Congresso. O ex-procurador da Lava Jato, cuja candidatura foi indeferida e depois restabelecida pelo TSE a poucas horas da eleição, conquistou uma das vagas do Paraná no Senado, com 2,9 milhões de votos. É uma vitória importante em sua acidentada carreira política. Eleito deputado federal em 2022, Dallagnol perdeu o mandato no ano seguinte, enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O entendimento do tribunal, na época, foi que sua desvinculação do Ministério Público, em 2021, fora irregular.

As peripécias de Dallagnol no Ministério Público foram descritas na reportagem O messiânico, publicada em março de 2024. Ao longo de cinco meses, a piauí analisou 950 mil mensagens trocadas pelo procurador no Telegram entre maio de 2014 e abril de 2019. Os registros mostram como Dallagnol aparelhou a instituição para servir seus interesses, divulgou informações imprecisas, expandiu seus poderes e, uma vez convertido em estrela nacional do combate à corrupção, aproveitou a fama para obter vantagens pessoais. A reportagem foi escrita em conjunto por Allan de Abreu, Felippe Aníbal, João Batista Jr., Lígia Mesquita, Luiz Fernando Toledo e Matheus Pichonelli, e pode ser lida aqui.

Rick Azevedo (Psol-RJ)

Uma das pautas mais importantes na eleição deste ano foi o fim da escala 6 por 1. E um dos grandes responsáveis por trazê-la à tona foi Rick Azevedo. Tudo começou com uma postagem no TikTok, em setembro de 2023. Na época, Rick trabalhava como balconista em uma farmácia no Rio de Janeiro e, sentindo-se exausto, gravou um vídeo reclamando da carga horária a que era submetido. “Eu quero saber quando que nós da classe trabalhadora iremos nos revoltar contra essa escravidão ultrapassada chamada escala 6 por 1”, disse.

O vídeo repercutiu, e Rick se animou. Passou a publicar mais e mais conteúdos, tornando-se um porta-voz do movimento que começava a nascer. Impulsionado pelas redes sociais, foi o candidato a vereador mais votado do Psol no Rio em 2024. Agora, foi eleito deputado federal com 191 mil votos, à frente de todos os companheiros de esquerda. “O grande acerto do Rick foi acessar nas pessoas a indignação, algo que tem uma capacidade notável de criar engajamento”, disse a cientista política Cila Schuman, no perfil de Rick Azevedo publicado pela piauí em abril de 2025. A reportagem de Pedro Tavares conta a ascensão do político e a articulação em Brasília pelo fim da escala 6 por 1. Leia aqui.

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Fonte: revista piauí

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