Curva à direita empurra Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Lula
Por Diego Amorim — Reportagem – PlatôBR

O Brasil fez uma curva acentuada à direita neste domingo, 4, e Flávio Bolsonaro é o maior beneficiado.
Contrariando todas as pesquisas dos principais institutos divulgadas ao longo da campanha, o primeiro turno das eleições de 2026 terminou com Flávio numericamente à frente de Lula na corrida presidencial: 47,06% a 45,13%, com 99,88% das urnas apuradas.
Os institutos dirão que os percentuais estão dentro das margens de erro e que já vinham detectando o chamado voto útil da direita na reta final. Mas fato é que nenhum deles previu um cenário favorável ao candidato do PL na largada para o segundo turno.
Nos dias que antecederam o pleito, Flávio e aliados martelaram o apelo pela vitória em primeiro turno. Deu certo. Se tivessem conseguido arrancar mais eleitores de Augusto Cury (2,89%), Renan Santos (2,24%), Ronaldo Caiado (2,19%) e Romeu Zema (0,27%), essa possibilidade teria sido concretizada.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro venceu no Sul e no Centro-Oeste, como esperado. Avançou pelo Sudeste de um jeito que surpreendeu até os mais otimistas da campanha. E, de maneira inédita, tomou conta de redutos petistas no Norte do país. O mapa vermelho restringiu-se ao Nordeste, que, mais uma vez, segurou a eleição de Lula.
Flávio ficou à frente durante toda a apuração. Ainda que analistas defendam que segundo turno é “uma nova eleição”, a diferença de quase 2,3 milhões de votos sobre Lula faz com que o senador seja considerado favorito para a rodada do próximo dia 25. Como o PlatôBR noticiou, o entorno de Flávio fazia o cálculo de que, mesmo que terminasse atrás do petista, se a diferença fosse inferior a quatro pontos percentuais, a virada seria bastante possível. O resultado foi bem melhor.
O desfecho do primeiro turno nos estados e no Congresso vai embalar Flávio, que contará, por exemplo, com um time de governadores eleitos e reeleitos puxado por nomes como o de Tarcísio de Freitas (São Paulo).
No Senado, o PL fez a maior bancada da história de um partido: terá, em 2027, 28 integrantes. Esse quadro fará com que Flávio continue explorando a crise sem precedentes no STF a seu favor. O partido do candidato também garantiu a maior bancada na Câmara. A nova tropa de choque da direita no Parlamento vai às ruas nas próximas três semanas para eleger Flávio.
Há outro ponto que incensa Flávio para o segundo turno: o desempenho do clã Bolsonaro nas urnas. Michelle foi eleita senadora pelo Distrito Federal em primeiro lugar. Carlos desbancou o experiente Esperidião Amin e garantiu a segunda vaga ao Senado em Santa Catarina, onde Jair Renan recebeu 131 mil votos e foi o quarto mais bem votado para deputado federal.
Flávio espera as confirmações dos apoios de, pelo menos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, além do da federação União-PP. Outras lideranças do Centrão sentirão o cheiro de poder e provavelmente penderão para o presidenciável do PL, que terá como importante cabo eleitoral o deputado federal Nikolas Ferreira, reeleito com 3,1 milhões de votos — de novo, o mais bem votado do país. Em Minas Gerais, terra de Nikolas e estado considerado termômetro para a disputa presidencial, Flávio derrotou Lula por 48,25% a 43,31%.
Do lado de Lula, o esforço será para manter a militância animada. São muitas as derrotas simbólicas para o PT e seus aliados no primeiro turno. Em São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva comeram poeira na corrida pelo Senado, assim como Gleisi Hoffmann, no Paraná, e Benedita da Silva, no Rio de Janeiro.
Uma nova derrota de Fernando Haddad para Tarcísio de Freitas era altamente provável, mas a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é outro resultado que merece registro, pois Haddad é apontado como provável sucessor de Lula na esquerda. As vitórias do PT nos governos da Bahia e do Ceará, com Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, depois de um longo favoritismo de ACM Neto e Ciro Gomes, respectivamente, poderão ajudar Lula a manter a esperança da virada. Ainda assim, não será fácil para o presidente-candidato.
Fonte: Reportagem – PlatôBR