1º turno mostra que o combate a Flávio, Trump e à extrema direita exige toda força da nossa luta

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Por Redação — Esquerda Diário

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Em meio à crescente ingerência imperialista na América Latina e nas eleições brasileiras, o resultado que sai das urnas neste primeiro turno expressa, para além do captado pelas pesquisas de intenção de voto, o fortalecimento da extrema direita bolsonarista no regime político, marcado também pelo escândalo do Banco Master, e a necessidade de enfrentar frontalmente a extrema direita e os interesses de Donald Trump no Brasil. Flávio Bolsonaro, capacho de Trump, passou à frente nas presidenciais, com 47,09% dos votos (2,4 milhões de votos à frente de Lula), ganhando em 15 estados. Seu partido, o PL, quadruplicou sua bancada reacionária no Senado e avançou no governo de estados e regiões do país. É preciso enfrentar essa extrema direita asquerosa e seus vínculos com o imperialismo.

Em sua campanha, Flávio Bolsonaro contou com um imperialismo de Donald Trump que busca, cada vez mais, subordinar a política brasileira aos seus interesses. Para isso, valeu-se de medidas como tarifaços, pressões sobre o PIX, designação do PCC e do Comando Vermelho como terrorismo, revogação de visto de embaixadora brasileira e, há poucos dias, a suspensão dos serviços de embaixadas e consulados dos Estados Unidos, com a ridícula alegação de “razões de segurança”. Tudo isso marcou um salto na ingerência de Trump no processo eleitoral. Também vieram à tona as relações entre os multimilionários empresários ligados à Rockbridge Network, fundada pelo trumpista JD Vance, e a campanha do filho de Jair Bolsonaro. São diversas mostras da reacionária articulação internacional da extrema direita, que na América Latina conta com aliados como Milei e Kast, e das medidas de ingerência para favorecer seus aliados. Essa é a nova Doutrina Donroe para transformar o Brasil cada vez mais em um quintal dos Estados Unidos, ao gosto do Escudo das Américas.

É nesse cenário que as eleições do primeiro turno no Brasil marcaram não somente o fortalecimento de Flávio Bolsonaro contra Lula, mas de diversas figuras da extrema direita no regime político. No Senado, o PL quadruplicou sua bancada reacionária, com 16 novos senadores eleitos que fortalecerão propostas misóginas, transfóbicas, entreguistas e a bancada da Bíblia, da bala e do agronegócio, atuando pela devastação ambiental e contra os direitos dos trabalhadores. Junto a Flávio Bolsonaro, são parte dos que vieram atuando contra a aprovação do fim da escala 6×1 no Senado, defendendo cada vez mais exploração e jornadas extenuantes.

Entre os eleitos, estão figuras como Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Carlos Bolsonaro e outros nomes do partido do clã. Além disso, se, em 2022, foram eleitos 2 governadores do PL, neste momento, já são 5 governadores eleitos (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Roraima e Rondônia), além de outras 2 possibilidades no segundo turno. No Rio Grande do Sul, Zucco do PL foi eleito governador em primeiro turno com a melhor votação desde 1988 no estado, e, em São Paulo, Tarcísio de Freitas do Republicanos superou seu número de votos, mesmo com um governo marcado pelo escândalo das privatizações dos serviços, das chacinas e ataques aos trabalhadores, com seus aliados ao Senado Derrite e André do Padro eleitos. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) virou para cima de Paes (PSD), e se a justiça não considerar os votos de Garotinho será eleito no primeiro turno. Figuras jovens bolsonaristas como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato bateram recordes de votos para o Congresso Nacional. Herdeiros da Operação Lava Jato, a farsa pró-imperialista que abriu caminho para o bolsonarismo a partir de 2016, como Sérgio Moro (agora governador do Paraná pelo PL) e Deltan Dallagnol também foram eleitos.

Tudo isso também é parte da histórica crise do regime político, que saltou com o escândalo do Banco Master e a interferência de André Mendonça a serviço de favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições. O compromisso de ministros como Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, mantendo diversas relações espúrias nessa república dos banqueiros, favoreceu a que a extrema direita, mesmo com mil e um laços com Vorcaro, buscasse um discurso “anti-sistema” contra o Judiciário.

De conjunto, esse primeiro turno demonstra que é preciso enfrentar a extrema direita de Flávio Bolsonaro, apoiada em Donald Trump, com toda nossa força e através da mobilização. Isso exige refletir sobre o caminho aberto pela Frente Ampla e a conciliação de classes até aqui. Como declara Diana Assunção, dirigente do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), “Flávio Bolsonaro é um capacho de Donald Trump, temos que nos mobilizar para derrotá-los, assim como esse Senado oligárquico reacionário e governadores como Tarcísio de Freitas. Nós do MRT estamos e estaremos sempre na linha de frente desse enfrentamento. Na contramão disso, esse resultado é mais uma prova de que a conciliação de classes e a confiança nas instituições desse regime apodrecido apenas fortalecem nossos inimigos. Precisamos de um caminho alternativo, que as centrais sindicais e as entidades estudantis chamem assembleias e espaços de base para que a juventude e os trabalhadores possam se organizar para lutar contra essas figuras, pelo fim imediato da escala 6×1, sem nenhuma confiança em Alcolumbre e no Senado, e contra toda ingerência imperialista e entreguismo a Donald Trump, contra todos os seus capachos de extrema direita na América Latina. Temos que impor na luta que o petróleo e as terras raras sejam nossos. Apenas com um programa anti-imperialista que aposte na força da classe trabalhadora podemos enfrentar os interesses dessa extrema direita asquerosa.”

Fonte: Esquerda Diário

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