Economia circular: o que está em jogo nas eleições 2026
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Nos últimos anos, a economia circular foi destaque em pelo menos três grandes políticas públicas nacionais: a Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica e a Estratégia Nacional de Economia Circular, marco que também criou o Fórum e o Plano Nacional de Economia Circular. São avanços que merecem reconhecimento, pois apontam para um desenvolvimento com maior resiliência econômica e melhores ganhos sociais e ambientais. Com a aproximação das eleições, fica em aberto o futuro dessa agenda: os próximos governantes darão continuidade ao que foi construído, deixarão o tema enfraquecer ou, pior, retroceder?
Priorizar a economia circular é deixar para trás um modelo baseado na extração, consumo e descarte de recursos naturais, para valorizar a permanência de produtos e materiais na economia pelo maior tempo possível e regenerar a natureza. Enquanto a economia linear esgota recursos, agrega pouco valor a eles e agrava a crise climática, a economia circular gera mais valor aos materiais, protege negócios de rupturas em cadeias de suprimentos e ajuda a descarbonizar a economia. É também abundante em trabalho, gerando empregos em reuso, reparo, remanufatura, compartilhamento, reciclagem, produção regenerativa e compostagem.
A Estratégia Nacional de Economia Circular definiu as bases para a transição do país e reforçou que mudanças no design de produtos, materiais e modelos de negócio são fundamentais para que a economia circular seja uma virada de chave — e não apenas uma tentativa de mitigar os danos da economia linear, sem resolver a causa na origem. A ela somaram-se outros marcos relevantes, como a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, os decretos sobre logística reversa e a Lei de Incentivo à Reciclagem.
Em contrapartida, outras políticas seguem indefinidas no Congresso. O principal caso é o PL 1874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular, documento-base de princípios, objetivos e instrumentos para todos os setores da economia, e que aguarda votação final no Senado. Sua aprovação pode consolidar a economia circular como caminho de desenvolvimento do país e blindá-la de retrocessos no que já foi alcançado.
Outro projeto na fila é o PL 2.132/25, sobre Circularidade de Baterias Elétricas Veiculares, que reconhece a importância de manter em uso e recuperar materiais de alto valor das baterias já existentes, reduzindo a pressão sobre a extração primária de minerais como lítio, cobalto e níquel. A demanda por minerais críticos, que cresce com a eletrificação da mobilidade e a digitalização, mostra que a lógica linear não será suficiente para os desafios dos próximos anos.
Acesso a minerais críticos, poluição plástica, desperdício na moda, degradação de terras e perda de biodiversidade: todos esses são desafios urgentes para os quais a economia circular é uma alternativa tangível e economicamente mais inteligente. Mais de cem países avançam em suas políticas rumo à circularidade, e milhares de empresas já capturam os benefícios de modelos de negócios alinhados a ela. O Brasil precisa avançar também, se quiser se manter relevante nas cadeias de valor globais e gozar de uma indústria mais moderna, melhores empregos e melhoria das metas ambientais e climáticas. É, portanto, fundamental que os próximos membros dos poderes Executivo e Legislativo tenham a economia circular como pauta prioritária e acelerem essa transformação, que não é apenas necessária, mas imperativa.
Sobre a autora
Luisa Santiago é diretora executiva para a América Latina na Fundação Ellen MacArthur
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Fonte: umsoplaneta