Milhares protestam contra crise habitacional em 50 cidades da Espanha após Congresso rejeitar medidas

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Por Redação — Brasil de Fato

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Milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado (3) em cerca de 50 cidades da Espanha para protestar contra a crise habitacional e a especulação imobiliária. Os atos ocorreram um dia depois de o Congresso espanhol rejeitar um pacote de medidas apresentado pelo presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), para proteger inquilinos vulneráveis e conter os despejos. As informações são da AFP.

O pacote previa a suspensão de despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a prorrogação de contratos de aluguel e restrições para imóveis destinados à exploração turística. As propostas também incluíam mecanismos de renovação automática dos contratos, uma das principais reivindicações das organizações de inquilinos.

Os textos foram derrotados com os votos do partidos de direita Partido Popular (PP) e de extrema direita Vox e Junts, que se opuseram às medidas do governo. A rejeição provocou revolta entre os manifestantes, que acusam os partidos de ignorarem uma crise que afeta especialmente as grandes cidades e as famílias de baixa renda.

Em Madri, capital do país, o governo federal estimou a presença de aproximadamente 70 mil pessoas. Os organizadores, porém, afirmaram que a manifestação reuniu cerca de 500 mil participantes. As passeatas foram convocadas antes da votação, mas ganharam força após a derrota do governo no Parlamento.

Também na capital, ativistas mantêm há uma semana um acampamento na Praça do Sol. Durante os protestos, manifestantes carregaram faixas com o lema “Rumo à greve geral”. O Sindicato de Inquilinas, uma das organizações que lideram o movimento, afirmou que a rejeição do pacote marca o início de uma nova etapa de mobilização nacional.

Além da crise social, a derrota parlamentar aumentou a pressão política sobre Pedro Sánchez. A dificuldade do governo para aprovar as medidas reacendeu a possibilidade de eleições antecipadas, embora a votação regular estivesse prevista apenas para 2027. Enquanto o Executivo avalia os próximos passos, os movimentos de moradia prometem manter os protestos contra os despejos, os aumentos abusivos e a transformação dos imóveis em ativos de especulação.

A mobilização foi impulsionada pelo caso de Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada do apartamento onde vivia havia sete décadas. O imóvel foi comprado por uma empresa que tentou aumentar seu aluguel em aproximadamente 275%: o valor passaria de cerca de €500 para €2.650 mensais, quantia superior à pensão recebida pela idosa.

A expulsão transformou Abascal em símbolo da crise habitacional espanhola. Após a pressão dos manifestantes, a empresa aceitou negociar o retorno da aposentada ao imóvel por um aluguel próximo ao valor que ela pagava anteriormente. Para os movimentos de inquilinos, o acordo demonstrou a força da mobilização popular e expôs a vulnerabilidade de milhares de famílias diante da alta dos aluguéis e da falta de moradias acessíveis.

Com informações da AFP.

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Fonte: Brasil de Fato

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