“Globo descobriu que não é dona de tudo”, diz Lula, após cancelamento do debate
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente Lula afirmou que a TV Globo “descobriu que não é dona de tudo” após o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela emissora na noite de quinta-feira (1º). A declaração foi feita nesta sexta-feira (2), durante a reta final da campanha eleitoral, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
“Desastre foi para a Globo. Ela ontem descobriu que não é dona de tudo”, afirmou Lula.
A declaração ocorre depois de uma sequência de acontecimentos que terminou com a Globo cancelando o último debate presidencial previsto antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Lula já havia decidido não participar do programa e optou por conceder uma longa entrevista ao Flow Podcast.
A Globo atribuiu o cancelamento a decisões judiciais que modificaram regras previamente estabelecidas para o encontro. Flávio Bolsonaro também desistiu de participar poucas horas antes do horário previsto para o início do programa.
Lula optou pelo Flow
A decisão de Lula de não participar do debate ocorreu paralelamente à escolha de uma estratégia de comunicação diferente. Em vez do confronto na televisão aberta, o presidente concedeu entrevista a Igor Coelho, o Igor 3K, no Flow.
Durante a conversa, Lula falou sobre economia, distribuição de renda, juventude, crédito, combate à extrema direita e sua própria trajetória política.
A entrevista alcançou enorme repercussão nas plataformas digitais, reforçando a estratégia da campanha de buscar contato com públicos que consomem informação prioritariamente pela internet.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula nunca havia confirmado participação nos debates do primeiro turno. Segundo ele, o presidente poderá comparecer a confrontos televisivos caso a eleição tenha segundo turno.
Cancelamento expõe transformação na comunicação política
O episódio ganhou dimensão que ultrapassa a própria disputa eleitoral. Durante décadas, o debate da Globo realizado às vésperas das eleições presidenciais esteve entre os acontecimentos de maior audiência e repercussão das campanhas brasileiras.
Em 2026, entretanto, o cenário de comunicação é substancialmente diferente. Podcasts, canais digitais, transmissões ao vivo e redes sociais passaram a disputar diretamente a atenção do eleitor com os veículos tradicionais.
A opção de Lula pelo Flow simbolizou essa mudança. Em vez de submeter sua agenda ao formato de um debate televisivo, o presidente escolheu uma conversa longa em uma plataforma digital, na qual teve espaço para desenvolver suas respostas e apresentar suas propostas.
É nesse contexto que deve ser compreendida a declaração de Lula sobre a Globo.
“Ela ontem descobriu que não é dona de tudo”, afirmou.
Lula concentra esforços contra a abstenção
Superada a discussão sobre o debate, Lula passou a concentrar a reta final da campanha no combate à abstenção.
Durante caminhada realizada entre a Candelária e a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, o presidente fez um apelo especial aos brasileiros com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo.
Lula pediu que essas pessoas compareçam às urnas e votem pensando também no futuro de filhos, netos e bisnetos. O presidente tem repetido a convocação em seus últimos atos de campanha.
A mobilização também mira os jovens. Lula vem incentivando adolescentes de 16 e 17 anos a exercer o direito ao voto e pedindo que seus apoiadores conversem com familiares, amigos e vizinhos para ampliar o comparecimento às urnas.
Presidente volta a citar INSS e Banco Master
Durante a passagem pelo Rio, Lula voltou a mencionar as investigações sobre fraudes no INSS e o caso do Banco Master, temas que incorporou ao discurso eleitoral nos últimos dias.
O presidente também fez críticas a Flávio Bolsonaro e apresentou a eleição como uma disputa entre projetos distintos para o país.
Na caminhada entre a Candelária e a Cinelândia houve momentos de tumulto e um vidro de um VLT foi quebrado. Lula pediu calma aos participantes e solicitou que os apoiadores evitassem empurrões e situações que pudessem provocar acidentes.
A preocupação com a segurança se repetiu posteriormente em Belo Horizonte, onde o presidente participou de outra caminhada.
Em BH, Lula fala em projetos de país
Na capital mineira, Lula voltou a pedir cautela à multidão e apresentou a eleição como uma escolha relacionada diretamente a políticas públicas e direitos sociais.
O presidente citou o Sistema Único de Saúde (SUS), a valorização do salário mínimo, o combate às bets e o fim da escala 6×1 entre os temas que estarão em jogo na votação.
A primeira-dama Janja da Silva também discursou durante o ato. Ao criticar o deputado federal Nikolas Ferreira, chamou-o de “piá de bosta” e de mentiroso.
Lula aproveitou a passagem por Minas Gerais para reforçar o apelo contra a abstenção e defender a participação de eleitores de todas as idades.
Reta final em São Paulo
O presidente anunciou uma nova caminhada para este sábado (3), desta vez na avenida Paulista, em São Paulo, na véspera do primeiro turno.
O ato deverá marcar o encerramento da agenda de rua da campanha presidencial antes da votação.
A estratégia para as últimas horas é estimular a militância a ampliar o comparecimento eleitoral e tentar definir a disputa já no primeiro turno.
Nesse ambiente, o cancelamento do debate da Globo acabou se tornando um dos episódios mais simbólicos da campanha de 2026: de um lado, uma emissora que durante décadas ocupou posição central na organização dos grandes momentos eleitorais; de outro, novas plataformas capazes de alcançar audiências de milhões de pessoas sem a intermediação da televisão aberta.
Foi diante dessa mudança que Lula sintetizou sua avaliação sobre o episódio: “Desastre foi para a Globo. Ela descobriu que não é dona de tudo”.
Fonte: Brasil 247