Edinho Silva afirma que PT está aberto ao diálogo com direita que “valoriza a democracia”
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que o partido está disposto a dialogar com candidatos de outras forças políticas em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. A declaração foi dada ao g1, durante entrevista em São Paulo.
“Mesmo candidaturas à direita valorizam a democracia e querem um Brasil democrático. Temos que abrir esse diálogo — ou nós vamos cair como país da intolerância”, disse Edinho.
Coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho também confirmou que o mandatário pretende participar dos debates em um eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula não participou de debates com os demais candidatos à Presidência.
Segundo o dirigente petista, Lula quer um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL). “Ele quer que o povo enxergue a diferença entre o Brasil que o Flávio defende e o Brasil que ele representa”, afirmou.
Edinho concedeu a entrevista em um hotel em São Paulo, acompanhado de integrantes da campanha e de Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.
PT vê sentimento de mudança como principal desafio
Edinho Silva afirmou que a campanha de Lula enfrenta um sentimento de mudança presente entre os eleitores. Para ele, o candidato petista deve apresentar a própria capacidade de promover reformas estruturantes.
“Não estamos disputando com o Flávio, mas com esse sentimento de mudança. Tanto que, quando você tira o Flávio e põe o Caiado, Cury, todos crescem, porque nosso adversário é esse sentimento. Por isso que temos que debater que o único capaz de fazer mudanças é o Lula”, disse.
O presidente do PT também afirmou estar confiante na campanha para um eventual segundo turno. Segundo ele, o partido começou ainda em 2025 a organizar alianças e estruturas regionais com o objetivo de sustentar a candidatura à reeleição.
“Nós vamos ter uma estrutura muito forte de campanha no segundo turno com aliados e outras alianças que poderemos ampliar, mas com estruturas mais montadas no 1º turno. Estou muito confiante de que, em termos de estrutura de campanha, o presidente Lula sai muito na frente em relação ao adversário [Flávio Bolsonaro]”, declarou.
Disputas estaduais
Edinho também comentou as eleições para os governos estaduais. Na avaliação apresentada pelo coordenador da campanha, a polarização pode aumentar a possibilidade de algumas disputas serem definidas já no primeiro turno.
Nos estados em que o PT tem candidaturas próprias, Edinho afirmou esperar que o partido tenha chances de chegar ao segundo turno no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais, além de vencer no primeiro turno no Piauí.
Entre os estados em que o partido apoia aliados, ele citou expectativas de avanço no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas e Paraná. Também afirmou esperar vitórias de aliados no primeiro turno em Sergipe e no Pará.
Em São Paulo, onde Fernando Haddad (PT) aparece atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto, Edinho classificou a campanha petista como “brilhante” e mencionou a possibilidade de voto útil alterar o cenário.
“Se eu fosse o Tarcísio, eu respeitaria muito o Haddad nessa reta final de campanha. Porque a polarização vai se dar. Pode ter uma movimentação importante do eleitorado de São Paulo”, afirmou.
Expectativa para Câmara e Senado
A dois dias das eleições, o presidente nacional do PT também apresentou expectativas para a composição do Congresso Nacional.
Edinho afirmou acreditar que a bancada do PT na Câmara dos Deputados passe dos atuais 69 parlamentares para pelo menos 80. Para o Senado, disse esperar que o chamado “campo democrático” conquiste maioria.
“Podemos ser o partido que mais cresce ou estar entre os que mais crescem na Câmara dos Deputados. Com a federação, podemos crescer uns outros 20 parlamentares. Para enfrentar essa quadra histórica no Senado, temos que fazer alianças com o campo democrático para impedir o crescimento dessa direita de inspiração fascista”, declarou.
Críticas a Trump e ao fechamento de consulados
Durante a entrevista, Edinho Silva também falou sobre suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder fascista do século XXI”.
O dirigente afirmou que eventuais envolvidos em interferência estrangeira devem ser responsabilizados caso as suspeitas sejam confirmadas. Segundo ele, o caso poderia inclusive ser encaminhado a organismos internacionais.
“O Brasil vai ficar passivo? Se fizéssemos isso lá [nos EUA], certamente a CIA já estaria operando, a Interpol estaria operando para nos investigar. O mundo tem que enfrentar essa concepção que o Trump tem disseminado. Ele tem interferido em eleições na Europa, na América Latina. O Brasil é a maior democracia direta do mundo, e eu acho que tem que ser respeitado como tal”, afirmou.
Edinho também comentou o fechamento dos trabalhos consulares e da Embaixada dos EUA no Brasil na quinta-feira (1), atribuído a supostas “questões de segurança”. “Fechar os consulados é inédito, não tem o menor sentido, é uma das formas que o Trump tem para disputar a opinião pública no Brasil”, declarou.
Fonte: Brasil 247