Campanha de Lula teme uso político da saúde de Bolsonaro para favorecer Flávio

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstram preocupação com a possibilidade de episódios envolvendo a saúde de Jair Bolsonaro serem explorados politicamente na reta final do primeiro turno para mobilizar eleitores em favor da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o receio, que já circulava entre integrantes da campanha petista, ganhou força nesta sexta-feira (2), depois de a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmar que Jair Bolsonaro havia passado mal em casa, onde cumpre prisão domiciliar. A informação sobre a preocupação da campanha é baseada em relatos de bastidores publicados pela coluna.

Damares relacionou o episódio de saúde ao cancelamento de compromissos eleitorais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A assessoria de Michelle, porém, informou que ela mantinha normalmente sua agenda na tarde desta sexta.

Campanha teme internação antes da votação

De acordo com o Metrópoles, auxiliares de Lula consideram a possibilidade de Jair Bolsonaro ser internado antes da votação deste domingo (4). Nos bastidores petistas, existe o temor de que uma eventual hospitalização produza uma mobilização emocional entre apoiadores do ex-presidente e tenha reflexos sobre a candidatura de Flávio.

Essa interpretação pertence a integrantes da campanha de Lula. Até o momento, não há informação apresentada pela reportagem de que Jair Bolsonaro pretenda provocar ou utilizar deliberadamente uma eventual internação como estratégia eleitoral.

A preocupação surge em um momento de disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamentos divulgados nesta reta final mostram os dois candidatos próximos, enquanto pesquisas internas das próprias campanhas têm apresentado cenários divergentes. O Metrópoles informou nesta sexta-feira que os chamados trackings do PT indicam avanço de Lula, enquanto levantamentos internos utilizados pelo PL apontam cenário mais favorável a Flávio. Pesquisas internas, diferentemente dos levantamentos eleitorais divulgados ao público, não são necessariamente registradas na Justiça Eleitoral.

Reta final concentra disputa por mobilização

Com o primeiro turno marcado para domingo, Lula e Flávio intensificaram as agendas de campanha no Sudeste, região que concentra mais de 40% do eleitorado brasileiro. Lula programou compromissos no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo, enquanto Flávio também concentrou atividades eleitorais na região.

A mobilização do eleitorado tornou-se uma das principais preocupações das duas campanhas nos últimos dias antes da votação. Aliados de Lula têm procurado evitar um ambiente de vitória antecipada, mesmo depois da melhora registrada por alguns levantamentos internos do PT.

Já a campanha de Flávio busca manter mobilizada a base identificada com Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira, a Folha de S.Paulo relatou que o candidato passou a explorar também a controvérsia provocada pelo cancelamento do debate da TV Globo para estimular seus apoiadores na reta final.

Nesse cenário de disputa voto a voto, qualquer fato com potencial de mobilização passou a ser acompanhado de perto pelos comandos das campanhas. É nesse contexto que aliados de Lula avaliam os possíveis efeitos eleitorais de notícias relacionadas à saúde do ex-presidente.

Fonte: Brasil 247

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