Após 14 testemunhas, júri de PMs acusados pela morte de Davi chega à reta final

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Por Tiago Vechi — Jornal Opção

Após 14 testemunhas, júri de PMs acusados pela morte de Davi chega à reta final

Os promotores Luiz Gustavo e Esli Gomes esperam que o julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Davi seja encerrado ainda nesta sexta-feira, 2. O Tribunal do Júri já entrou na fase de debates entre acusação e defesa, após a oitiva de 14 testemunhas e o interrogatório dos três réus. “Penso que o júri se encerra hoje, já estamos na fase de sustentação”, afirmou Luiz Gustavo. Segundo ele, a expectativa do Ministério Público é de que os jurados decidam com base nas provas apresentadas ao longo do processo.

“A nossa convicção está firme, não em suposições, mas em cotejamento das provas, com os depoimentos, com o que foi produzido aqui perante os jurados”, disse Esli.

O julgamento ocorre 14 anos após a morte de Davi, em um processo marcado por recursos e reviravoltas. Segundo os promotores, a fase de instrução realizada na quinta-feira, 1º, reforçou a linha de acusação apresentada pelo Ministério Público.

Questionados sobre a recorrência de casos envolvendo policiais militares acusados de crimes semelhantes, os promotores afirmaram que processos desse tipo não são comuns e que apenas uma parcela chega à fase de julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo Luiz Gustavo, policiais militares frequentemente atuam dentro da legalidade, inclusive em situações de legítima defesa. Os casos chegam ao júri, de acordo com ele, quando há acusação de que os agentes ultrapassaram os limites de suas funções.

Neste processo, além da acusação de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, o Ministério Público sustenta que os policiais teriam tentado extorquir Davi antes da abordagem que terminou com a morte dele. A tese é de que informações obtidas por meio de interceptações telefônicas teriam sido usadas para tentar obter vantagem financeira.

Para Luiz Gustavo, o conjunto de provas apresentado durante o julgamento não deixa, na avaliação da acusação, margem para dúvidas sobre a dinâmica dos fatos. “Então, penso que finalizamos hoje e esperamos, de forma correta e justa, a condenação dos réus”, afirmou.

Nota da defesa

A defesa do ex-policial militar Jonathas Atenevir Jordão reforça que ele é inocente e que as provas já estão todas juntadas no processo.

“Jamais alguém gostaria que isso tivesse acontecido”

A irmã do soldado Jhonatas Atenevir Jordão, apontado como o policial que efetuou o disparo que matou o advogado Davi Sebba, afirmou ao Jornal Opção, nesta sexta-feira, 2, esperar que o irmão seja absolvido no julgamento.

Alice de Moraes Jordão disse que a família convive há 14 anos com o sofrimento causado pelo caso. Segundo ela, Jhonatas nunca chegou a ser preso e, na avaliação da família, agiu para se defender durante a ocorrência.

“Ele estava a trabalho, a serviço. Ele estava cumprindo uma ordem e, infelizmente, ele saiu de casa para defender o Estado e, devido à questão dele se defender, dele ser obrigado a se defender para ele não morrer, ele precisou se defender”, afirmou.

Alice também declarou solidariedade à família de Davi Sebba. “Jamais alguém gostaria que isso tivesse acontecido. Mas o nosso lado também é sofrido. Nós sofremos muito por isso também, sempre.”

Sobre o julgamento, ela disse estar confiante na absolvição do irmão. “Eu tenho certeza que vai ser comprovada a inocência do meu irmão. Ele agiu em legítima defesa e eu estou confiante que isso vai ser comprovado hoje.”

Leia mais: MP diz que PMs queriam extorquir Davi Sebba e criaram narrativa para encobrir assassinato

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Fonte: Jornal Opção

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