Colapso da comunicação eleitoral fascista
Por César Fonseca — Brasil 247
A Globo está possessa com os tribunais, o STF e o TSE; o primeiro, por intermédio do ministro Gilmar Mendes, mandou a emissora convocar o neoliberal Renan Santos, candidato do partido Missão, para participar do debate, do qual fora alijado pela Globo; o segundo, via ministra Estela Aranha, mandou retirar a cadeira vazia de Lula, que avisou que não iria, para que os adversários, combinados entre si, fizessem dela uma ficção política oposicionista, sem dispor de resposta às suas agressividades, pois, claro, cadeira vazia não fala.
A Globo considerou isso mudança de regra de jogo, censura à imprensa, intervenção jurídica nas eleições e que tais; o fato é que o cachimbo acaba fazendo a boca torta; a outrora vênus platinada sempre armou o espetáculo para que, por meio das regras por ela traçadas, todos tivessem seu comportamento uniformizado, de acordo com o figurino global, invariavelmente insosso.
Lula exercitou sua liberdade: ir ou não?
Decidiu pelo não; está ou não no seu direito ou isso é violação da lei?
Há lei que determina obediência absoluta às regras da Globo?
Se existe, não está escrita; portanto, aceitar ou não o convite à participação se enquadra, prioritariamente, não no interesse da emissora, mas do candidato ou candidata; é ele ou ela que julga conveniente ou não ir.
A história do comportamento da Globo é por demais conhecida pelo seu aspecto manipulador; as últimas entrevistas que foram feitas pelo Jornal Nacional, comandadas pelos repórteres César Tralli e Renata Vasconcellos, deixaram claro o vício manipulador; em vez de se estabelecer o diálogo, com liberdade para colocações e contestações, em respeito à democracia, o que se viu foi intolerância às respostas e ponderações dos entrevistados, condicionando-as ao restrito tempo de 1 minuto, período durante o qual a formulação do pensamento é obstaculizada pela grade televisiva ditatorial.
Não se trata de diálogo, conversas, contrapontos e esclarecimentos, dignos de serem considerados entrevista, mas de imposições; nesse processo de manipulação midiática, o direito do consumidor de notícias jamais é respeitado.
Por essa razão, assiste ao entrevistado o justo direito de fazer cálculo: diante da arapuca armada pela emissora para criar situações de sobressalto em quem ela entrevista – ou inquire em termos taxativos, quase acusatórios –, é correta ou não a posição de ir ou não ir aos falsos questionamentos, mais parecidos com julgamentos a priori?
O histórico da relação de Lula com a Globo – esta sempre se comportando como gato caçando rato – autorizou, moralmente, o candidato petista a uma revisão da sua posição, conforme o seu julgamento soberano, no caso, recusar o convite.
O que ficou comprovado é que, sem Lula no debate, os demais candidatos de direita e ultradireita na disputa eleitoral dançariam samba (ruim) de uma nota só; a sociedade sabe qual é a proposta de ambos, ideologicamente distorcida em favor dos interesses do capital, não do trabalho: neoliberalismo entreguista, antinacional, antinacionalista.
Seria, se o debate não fosse cancelado, instrutivo: quem se dispõe a vender mais barato o patrimônio nacional?
Zema, do Novo, tem o propósito de vender por US$ 1 a Petrobras; Caiado, do PSD, já estava passando nos cobres as terras raras de Goiás, atropelando a lei que estabelece prioridade constitucional ao Poder Executivo a essa tarefa e não a um governo estadual; Cury, do Avante, puro sabonete, escorrega de tudo; Renan Santos, Missão, ultrarradical neoliberal, na tarefa de alienação da juventude para construção de sonho mistificador, e Flávio Rachadinha, candidato ficha-suja, o pior dos Bolsonaro, cara de pau, lambe-botas de Trump.
O debate entre eles não daria ibope à Globo; pelo contrário, afundaria a emissora, que precisaria de uma contraparte, Lula, para ser sacrificado no altar midiático, adredemente preparado sob fantasia de democracia neoliberal.
Lula deu um drible em todos e demonstrou que, sem ele para servir de jantar para uma malta esfomeada, à espera de um banquete gordo, todos morreriam de fome.
Foi o lance mais sensacional da campanha eleitoral.
Fonte: Brasil 247