PF avalia criar divisão de combate a bets ilegais

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A Polícia Federal prepara uma reestruturação interna para ampliar o combate às apostas ilegais e criar uma divisão permanente dedicada exclusivamente a esse tipo de crime. O projeto também prevê unidades específicas para investigar manipulação de resultados esportivos e lavagem de dinheiro por meio de ativos virtuais. A proposta consta de um documento interno encaminhado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, segundo reportagem da Folha de São Paulo.

Integrantes do governo afirmam que a reformulação já recebeu o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido foi formalizado em 25 de setembro, mesma data em que Lula assinou a medida provisória que proibiu a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional. A proibição também foi anunciada oficialmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A reorganização agora tramita no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Como envolve a criação de novas estruturas administrativas, a estimativa apresentada é de impacto financeiro mensal de R$ 44,9 mil.

Pelo desenho proposto, será criada a Divisão de Repressão a Apostas Ilegais, responsável por concentrar investigações sobre plataformas que continuem operando fora da legalidade. A PF também pretende instituir uma Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos.

As duas estruturas fariam parte de uma reformulação mais ampla da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), responsável por algumas das principais investigações da corporação envolvendo crimes financeiros e organizações criminosas.

No documento encaminhado ao Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues afirmou que a reorganização busca “fortalecer a capacidade institucional da Polícia Federal para o enfrentamento econômico ao crime organizado, mediante a integração, em estrutura central especializada, da repressão à lavagem de dinheiro, da inteligência financeira, da investigação patrimonial e da recuperação de ativos, além do enfrentamento das apostas ilegais e da manipulação de resultados esportivos”.

Lavagem de dinheiro e criptoativos

Uma das principais mudanças previstas é a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA), vinculada à Dicor.

Dentro dela funcionaria uma Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro, que teria, entre suas unidades, um serviço específico para investigar operações de lavagem envolvendo criptomoedas e outros ativos virtuais.

Segundo dados citados pela Folha, a PF apreendeu R$ 71 milhões em criptomoedas usadas em atividades criminosas em 2025. No ano anterior, o volume havia sido de R$ 11,1 milhões.

A proposta contempla ainda a criação da Coordenação de Recuperação de Ativos, voltada a investigações patrimoniais e à localização, gestão, alienação e destinação de bens associados a crimes.

Atualmente, as áreas de combate à lavagem de dinheiro e de recuperação de ativos ocupam posições inferiores no organograma. Com a mudança, passariam a ter status de coordenação, ampliando sua importância institucional dentro da corporação.

A PF afirmou no documento que a nova estrutura permitirá reunir essas atividades sob uma direção única, “estruturando fluxos capazes de aproximar a produção de subsídios financeiros da identificação, localização, constrição, administração, alienação e destinação de bens”.

Segundo a corporação, “busca-se, com isso, favorecer a identificação tempestiva de bens, a instrução de medidas assecuratórias [retenção de bens, direitos e valores oriundos de crimes], o acompanhamento das etapas posteriores à constrição e a cooperação necessária à localização e recuperação de ativos no Brasil e no exterior”.

Estrutura permanente

A PF já havia criado, em maio, um grupo temporário para investigar manipulação de resultados esportivos, fraudes relacionadas a apostas e operação ilegal de plataformas.

Esse grupo foi instituído por meio de boletim interno e tinha duração prevista de um ano. A nova configuração, porém, transformaria a atuação em uma estrutura permanente e com maior peso dentro da corporação.

Além das divisões destinadas às apostas e ao esporte, a proposta prevê uma Divisão de Doutrina e Capacitação, um setor de apoio administrativo e um núcleo de gestão estratégica.

Ao todo, o projeto contempla 17 novas unidades administrativas. Três estruturas já existentes, atualmente vinculadas à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, seriam aproveitadas no novo organograma.

Governo intensifica bloqueio de plataformas

O fortalecimento da PF ocorre em meio à ofensiva do governo contra plataformas que continuam oferecendo apostas depois da publicação da medida provisória.

Em 29 de setembro, os ministérios da Justiça e da Fazenda informaram ter solicitado a derrubada de 5.209 domínios relacionados à exploração de apostas. Desse total, 1.386 foram identificados pelo Ministério da Justiça e outros 3.823 pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

O governo também determinou a retirada de anúncios e páginas utilizadas para divulgar os serviços. Segundo o Ministério da Justiça, o prazo para retirada das plataformas e das publicidades foi estabelecido para 5 de outubro, enquanto lojas de aplicativos deverão retirar 186 aplicativos notificados a partir de 6 de outubro.

Antes disso, uma força-tarefa dos dois ministérios já havia retirado do ar 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas.

A Polícia Federal também acumula investigações nessa área. De acordo com os dados apresentados pelo governo, entre março de 2023 e agosto de 2026 foram deflagradas 12 operações relacionadas a apostas ilegais e manipulação de resultados esportivos.

As ações resultaram em pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão, com investigações em Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito Federal.

No mesmo período, a PF pediu à Justiça o bloqueio ou sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores vinculados às apurações.

Fonte: Brasil 247

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