Lula não homenageou médium João de Deus em nome de hospital no Pará
Por Giovanna Massaro — Aos Fatos | Valorize o que é real
É falso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha homenageado o médium João de Deus, preso por crimes sexuais contra mulheres, ao batizar um hospital em Belém (PA), como afirmam nas redes sociais. O nome da unidade é referente ao santo português São João de Deus, do século 16, conhecido por ser padroeiro dos enfermos.
Postagens com conteúdo enganoso reuniam ao menos 150 mil interações no X até a tarde desta quinta-feira (1º).
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LULA HOMENAGEIA JOÃO DE DEUS, CONDENADO POR ESTUPRO DE VULNERÁVEL EM NOVO HOSPITAL. PROTEJAM AS CRIANÇAS

Não é verdade que Lula inaugurou um hospital em homenagem ao médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, condenado à prisão após diversas acusações de abuso sexual e de posse ilegal de arma de fogo. A unidade inaugurada pelo presidente na segunda-feira (28) ganhou o nome de um santo português, não do médium preso.
A casa de saúde recebeu a denominação Hospital São João de Deus Complexo da Beneficente Portuguesa em referência a um santo português do século 16: São João de Deus, conhecido por ser padroeiro dos enfermos e dos hospitais. Batizado como João Cidade, ele deixou a terra natal aos 8 anos para seguir um clérigo e foi canonizado em 1609.
O hospital na capital do Pará faz parte da Beneficente Portuguesa, uma instituição filantrópica que existe desde 1877 na região norte do país. Lula esteve na unidade de saúde, onde sancionou o projeto de lei que fixa padrões de qualidade para clínicas e hospitais particulares. Com a lei, os serviços de saúde prestados serão submetidos a uma fiscalização mais aprofundada.
Já o médium João Teixeira de Faria foi condenado a mais de 214 anos de prisão em ao menos 16 julgamentos, segundo levantamento feito pelo g1 com o TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás). Entre os crimes, estão estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse irregular de arma de fogo. Em primeira instância, as penas chegavam a quase 500 anos, mas foram revisadas após a apresentação de recursos.
Contexto. As postagens surgem em meio à disseminação de conteúdos falsos que alegam falsamente que Lula defendeu pedofilia durante um discurso em Belém na segunda-feira.
O presidente, na verdade, fazia uma comparação entre os cuidados com a saúde entre as mulheres, que realizam exames ginecológicos desde a infância, enquanto os homens recusam o exame de próstata. Como mostrou Aos Fatos, uma parte do discurso foi distorcida e tirada de contexto.
Nesta quarta-feira (30), Aos Fatos mostrou como uma rede extremista no X articulou essa falsa associação de Lula à pedofilia.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca reversa pelas imagens e constatou que Lula, de fato, esteve no local. Em seguida, a reportagem buscou informações sobre a origem do nome da unidade de saúde e verificou que se trata de uma homenagem a um santo português e não ao médium João de Deus.