‘Trump é bonzinho perto do clã Bolsonaro’, afirma revista alemã
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A relação do clã Bolsonaro com a política brasileira foi o principal destaque de uma reportagem publicada nesta semana pela revista alemã Der Stern, antes do primeiro turno das eleições entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), relata a agência Deutsche Welle.
A matéria aborda a presença dos Bolsonaro no cenário político nacional e estampa o seguinte título: “Os Trumps parecem uma família boazinha do subúrbio perto do clã Bolsonaro”. O texto ressalta que a dimensão alcançada pela família não encontra paralelos em outras partes do mundo.
“Neste 4 de outubro, um total de 18 Bolsonaros vão se candidatar nas eleições brasileiras, entre eles oito pessoas do núcleo da família”, diz o texto da publicação alemã. Entre as candidaturas lançadas pelo núcleo familiar principal estão a de Michelle Bolsonaro para o Senado Federal; a do irmão de Jair, Renato Bolsonaro, para deputado federal; além de primos e dos filhos do ex-presidente: Flávio Bolsonaro (concorrendo à Presidência da República), Carlos Bolsonaro (disputando uma vaga no Senado) e Jair Renan (candidato a deputado federal). A reportagem menciona ainda Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e condenado à prisão por tentar coagir a Justiça, que vive foragido nos Estados Unidos e mantém contato com aliados do presidente norte-americano Donald Trump.
A publicação reforça que o engajamento na vida pública atinge praticamente todos os membros do grupo familiar. “Não existe nenhum Bolsonaro que não está na política. A não ser a filha Laura, de 15 anos. Sobre o nascimento de uma menina após quatro filhos homens, Jair Bolsonaro, conhecido pela postura machista, disse uma vez: ‘da quinta vez, eu fraquejei, e nasceu uma menina’”, acrescenta a Der Stern.
A revista detalha também que outros dez candidatos participam do pleito deste ano utilizando o nome Bolsonaro, mesmo sem possuir qualquer vínculo de parentesco, buscando obter maior visibilidade junto ao eleitorado. A reportagem associa a atração pela carreira política aos ganhos financeiros proporcionados pelo setor público no país.
“Entrar na política brasileira é altamente lucrativo. Isso ocorre, por um lado, por causa dos altos salários, mas mais ainda por causa do dinheiro que os políticos podem colocar no bolso durante os mandatos. Não é incomum que eles virem milionários enquanto estão no cargo”, afirma a publicação alemã. O texto prossegue analisando a percepção popular sobre a classe política local: “Na política brasileira há um ditado que diz: ‘todos os políticos são ladrões’. Soa como puro cinismo contra a política. No entanto, é bem próximo da verdade”, diz a matéria.
Comparação com dinastias internacionais e análise sociológica
A Der Stern afirma que uma dinastia com as proporções do clã Bolsonaro não possui antecedentes na história da política mundial. A revista chega a comparar o grupo brasileiro com outras linhagens conhecidas internacionalmente, como a família de extrema-direita Le Pen, na França, e a família republicana Bush, nos Estados Unidos.
A socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, ouvida pela reportagem, explicou que esses exemplos internacionais ocorrem em escala reduzida e delimitada. Segundo a pesquisadora, essas dinastias atuam apenas em “amplitude regional e em menor número”. “Oito membros de uma família se candidatarem para uma eleição de uma só vez é um possivelmente um recorde mundial”, aponta Messenberg.
Investigações, alcunha de “Familícia” e críticas a Flávio Bolsonaro
A reportagem da Der Stern relembra a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e o fato de o ex-presidente cumprir prisão domiciliar. O texto destaca também as investigações por suspeita de corrupção que envolvem Flávio Bolsonaro, bem como os indícios de ligações de membros do clã com organizações criminosas, elementos que renderam à família a alcunha de “Familícia”.
A revista analisa o discurso de opositor do sistema adotado por Flávio, comparando-o a figuras da extrema-direita internacional como Donald Trump e Javier Milei, da Argentina, mas apontando contradições na postura do senador brasileiro.
“Mas, no caso de Flávio Bolsonaro, isso é especialmente grotesco. O senador de 45 anos é a personificação do establishment. Ele nunca mostrou nada politicamente, além do sobrenome. Ele é o filho de Jair e, por isso, virou senador. Ele nunca fez nada por conta própria”, ressalta a publicação.
Para contrastar a origem dos principais concorrentes ao cargo máximo do Executivo, o texto estabelece uma comparação direta entre as trajetórias dos candidatos: “Lula conseguiu ir de trabalhador de fábrica a presidente. Flávio, de filho de presidente a pretendente à presidência”, diz a matéria da Der Stern.
Por fim, a reportagem avalia a opção da família em lançar a candidatura de Flávio Bolsonaro em detrimento de Michelle Bolsonaro. De acordo com a revista, Michelle teria chances mais elevadas na disputa presidencial, mas acabou sendo deixada em segundo plano em razão da postura sexista mantida pelo próprio clã.
Fonte: Brasil 247