Lula concentra reta final em São Paulo, Minas e Rio de olho em indecisos e antigos eleitores do PT
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu concentrar os últimos dias antes do primeiro turno em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país. A estratégia combina atos presenciais do candidato, mobilização nacional da militância e uma ofensiva voltada a eleitores indecisos e a pessoas que já votaram no PT em eleições anteriores.
A coordenação da campanha identifica nesses três estados, além de Bahia, Pernambuco e Ceará, potencial para recuperar votos principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, juntos, concentram cerca de 40% do eleitorado nacional.
A movimentação ocorre na reta final de uma disputa apertada com Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula. A campanha petista pretende ampliar o contato direto com o eleitorado e impedir que o senador se beneficie, nos últimos dias, de uma possível migração de votos de outros candidatos.
PT prepara “48 horas com Lula”
Parte da estratégia será executada por meio da mobilização batizada de “48 horas com Lula”, prevista para sexta-feira (2) e sábado (3). O PT convocou militantes a intensificar ações nas ruas e nas redes sociais durante os dois dias que antecedem a votação.
A orientação inclui visitas de porta em porta, conversas com eleitores, caminhadas, carreatas, distribuição de material de campanha, adesivação e bandeiraços em locais de grande circulação.
Ao mesmo tempo, Lula participará pessoalmente de atos nos três estados prioritários. Na sexta-feira, a programação prevê uma atividade pela manhã na região da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, e outra à tarde na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
No sábado, Lula deverá encerrar a campanha em São Paulo, com um ato nas proximidades da Avenida Paulista.
Campanha busca eleitores que já votaram no PT
A avaliação interna relatada pelo jornal é de que existe um contingente relevante de eleitores nas seis unidades da Federação consideradas prioritárias que já votou no PT, mas se afastou do partido nos últimos pleitos.
Por isso, a campanha pretende utilizar os últimos dias não apenas para conquistar indecisos, mas também para reconectar Lula a esse segmento do eleitorado.
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro recebem atenção especial pelo peso no resultado nacional. Bahia, Pernambuco e Ceará, por sua vez, integram a estratégia de intensificação da mobilização no Nordeste.
Campanha também tenta conter migração de votos para Flávio
Outro objetivo é disputar os eleitores de Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). O núcleo petista trabalha para evitar que uma eventual movimentação de voto útil leve parte desse eleitorado a Flávio Bolsonaro nos últimos momentos da campanha.
Nesse contexto, a campanha de Lula também decidiu explorar temas destinados a ampliar a rejeição ao candidato do PL, sobretudo entre as eleitoras.
O último programa eleitoral do PT na televisão deverá abordar o caso de Ana Clara Machado, de cinco anos, morta após ser atingida por um disparo de fuzil em frente de casa, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021. Flávio Bolsonaro atuou como um dos advogados do policial militar envolvido no caso.
Na peça eleitoral descrita por O Globo, a apresentadora afirma: “Você acha que quem defende assassino de criança vai te defender?”
A frase integra a propaganda da campanha e representa a abordagem política adotada pelo PT sobre o episódio.
Mulheres estão entre os grupos prioritários
A campanha também direcionará esforços específicos ao eleitorado feminino. Entre os segmentos considerados prioritários estão mães de classe média, beneficiárias do Bolsa Família e mulheres chefes de família.
De acordo com levantamento Datafolha citado por O Globo, entre as mulheres chefes de família, 47% declaravam voto em Lula, enquanto 27% indicavam preferência por Flávio Bolsonaro.
O objetivo da campanha é ampliar a participação desse grupo e mobilizar eleitoras que ainda não haviam definido o voto.
Idosos entram na ofensiva final
Outro segmento tratado como estratégico são os idosos, especialmente os eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo.
A campanha pretende estimular o comparecimento desse público às urnas. Uma das medidas usadas na comunicação é a decisão já anunciada pelo governo de permitir que o voto nas eleições seja considerado prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A iniciativa deverá ser ressaltada especialmente na tentativa de aumentar a participação de eleitores idosos considerados pela campanha mais receptivos à candidatura presidencial.
Com a combinação de atos de Lula nos maiores colégios eleitorais, mobilização da militância e campanhas dirigidas a segmentos específicos, o PT entra nos dois últimos dias de campanha buscando transformar o esforço de rua em votos antes da abertura das urnas.
Fonte: Brasil 247