Inteligência artificial e o resgate da ‘xepa’ lideram frente contra o desperdício de alimentos
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Na semana em que é celebrado o Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos (29 de setembro), a união entre inteligência artificial, novos hábitos e engajamento social ganhou os holofotes. O Brasil ainda convive com uma contradição extrema: mesmo sendo um dos principais produtores de alimentos do mundo, cerca de 55 milhões de pessoas ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar. Enquanto isso, milhares de toneladas de comida continuam sendo desperdiçadas diariamente, vítimas de falhas operacionais e de padrões estéticos que ignoram o valor nutricional.
Para enfrentar este desafio, especialistas e empresas apostam em refazer a lógica dos negócios. Parte central desse esforço foi debatida na terça-feira, 29, em São Paulo, na Associação Paulista de Supermercados (APAS). Durante um encontro intersetorial focado na transformação dos sistemas alimentares. O destaque das discussões foi o uso da inteligência artificial aplicada ao varejo e como os algoritmos que funcionam como ‘olhos’ inteligentes sobre os estoques ajudam supermercados a prever com precisão o que e quanto comprar, evitando que alimentos perecíveis estraguem antes de chegar às prateleiras.
Para Luiza Soares, líder do Programa Brasil Sem Desperdício no WWF-Brasil, essa tecnologia é crucial. “A inteligência artificial abre uma nova frente no combate ao desperdício porque amplia a capacidade de antecipar, e não apenas reagir às perdas”, afirma Soares. “Ao cruzar dados de consumo, estoques, validade, sazonalidade e demanda, essas ferramentas podem apoiar empresas na tomada de decisões mais precisas, desde o planejamento de compras e produção até a redistribuição de excedentes. Isso é especialmente relevante em um problema complexo como o desperdício de alimentos, que acontece em diferentes pontos da cadeia e exige soluções capazes de atuar em escala.”
O encontro reuniu a Embrapa, ABRAS, Ministério do Desenvolvimento Social, FAO e WWF-Brasil. O objetivo não foi apenas tecnológico, mas também social, visando conectar as inovações no campo com a eficiência no varejo e otimizar a distribuição de excedentes para bancos de alimentos.
Soares alerta que apesar de ser uma boa ferramenta, a tecnologia precisa de um complemento. “A tecnologia, sozinha, não resolve o desafio, ela precisa estar associada a mudanças nos processos das empresas e também nos hábitos de consumo”, explica. “O potencial da IA está justamente em transformar informação em decisões que evitem o desperdício antes que ele aconteça.”
“As empresas têm um papel fundamental nesse processo, porque podem rever práticas, inovar na gestão de estoques e excedentes e influenciar toda a cadeia, dos fornecedores aos consumidores”, pontua Daniela Teston, diretora de Relações Corporativas do WWF-Brasil.
Mas a eficiência tecnológica nos bastidores precisa de um parceiro fundamental, a população. Foi com a ideia de que a mudança precisa vir de todos os lados que o programa Brasil Sem Desperdício, uma parceria do WWF-Brasil com a organização internacional WRAP, lançou a campanha nacional #FazAXepa.
A mobilização, que conta com o apoio de empresas como Carrefour e Grupo Accor, apostará em ações visuais, como entregadores de delivery circulando por grandes cidades com mochilas de LED exibindo mensagens de conscientização para incentivar reflexões mais profundas sobre o alimento.
A iniciativa quer dar um novo significado a tradicional “xepa” da feira. O objetivo é mostrar que frutas e vegetais renegados, muitas vezes por serem ‘feios’ ou fora do padrão, têm total qualidade e sabor. A campanha conta com embaixadoras como a chef Bel Coelho e a atriz Laila Zaid, que vão a campo demonstrar como ingredientes considerados ‘sobras’ — como talos e folhas — podem se transformar em pratos de dar água na boca. “A xepa não é sobre o que sobrou, mas sobre tudo o que ainda pode se transformar em comida boa”, diz Bel Coelho.
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Fonte: umsoplaneta