Flávio Bolsonaro quer importar o modelo de Marco Rubio para o Itamaraty

0

Por Chris Amelio Castañeda — Esquerda Diário

capa_bolso_flavio_edu.jpg?1790794775

As articulações da extrema direita para subordinar ainda mais o Estado brasileiro aos ditames de Washington se aprofundam rumo ao primeiro turno. Segundo informações veiculadas sobre as diretrizes eleitorais do clã Bolsonaro — capitaneadas por Marcos Degaut, ligado a Eduardo Bolsonaro —, o plano para o Ministério das Relações Exteriores em caso de vitória é aplicar uma reforma radical no Itamaraty espelhada no modelo de Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump.

As articulações da extrema direita para subordinar ainda mais o Estado brasileiro aos ditames de Washington se aprofundam rumo ao primeiro turno. Segundo informações veiculadas sobre as diretrizes eleitorais do clã Bolsonaro — capitaneadas por Marcos Degaut, ligado a Eduardo Bolsonaro —, o plano para o Ministério das Relações Exteriores em caso de vitória é aplicar uma reforma radical no Itamaraty espelhada no modelo de Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump.

O projeto, batizado descaradamente de “Marco Rubio overhaul” (reforma de Marco Rubio), visa desmantelar as carreiras diplomáticas tradicionais para impor metas estritamente comerciais e abrir espaço para nomeações políticas alinhadas ideologicamente à extrema direita internacional. No Departamento de Estado dos EUA sob o trumpismo, essa mesma política significou o corte de mais de 1.300 vagas, fechamento de postos e a imposição de critérios de fidelidade cega à agenda reacionária da Casa Branca.

Servilismo ao trumpismo e capitulação colonial

Essa reestruturação não é uma mera reorganização burocrática ou administrativa. Trata-se de colocar abertamente o aparato da política externa brasileira como correia de transmissão dos interesses do imperialismo norte-americano e de seus setores mais nacionalistas e belicistas.

Sob o pretexto falacioso de um “realismo propositivo”, o plano delineado pela extrema direita busca direcionar as relações internacionais para um “Ocidente político” restrito, estreitando alianças preferenciais com governos de direita na América Latina e com o Estado de Israel. Trata-se da consolidação de uma agenda que opera para garantir que a América Latina continue sendo o “quintal” econômico e geopolítico dos Estados Unidos, rifando qualquer resquício de soberania para favorecer a rapina do grande capital financeiro e do agronegócio.

Cumplicidade com o genocídio na Palestina e as agressões ao Oriente Médio

O alinhamento umbilical com o modelo de Rubio e Trump tem desdobramentos diretos na política internacional e nos massacres em curso. Marco Rubio e o trumpismo expressam a ala mais agressiva do imperialismo ianque na sustentação incondicional do Estado sionista de Israel e de sua máquina de guerra.

Aproximar o Itamaraty desse núcleo significa aprofundar a cumplicidade do Brasil com o massacre sistemático contra o povo palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, além de integrar o país ao bloco de retaguarda das ofensivas belicistas contra o Irã e os povos do Oriente Médio. Enquanto a classe trabalhadora internacional e a juventude saem às ruas pelo fim do genocídio na Palestina e contra as escaladas militares imperialistas, a extrema direita brasileira articula transformar a diplomacia do país em um eco submisso dos falcões de Washington e de Tel Aviv.

Não por acaso, a articulação envolve nomes com vínculos com a indústria de armamentos e setores militarizados, demonstrando que por trás da retórica de “eficiência” e “abertura de mercados” está o lucro da indústria bélica e o reforço da opressão colonial.

Combater a extrema direita e a tutela imperialista

O plano revelado nos bastidores da campanha bolsonarista demonstra a natureza serviçal da extrema direita brasileira: enquanto bradam discursos nacionalistas e demagógicos, planejam entregar a estrutura do Estado para ser gerida sob as diretrizes políticas de Washington.

A luta contra esses planos reacionários não se dará pela conciliação com os mesmos setores dominantes que abrem as portas para a dependência econômica. É necessário erguer uma forte mobilização independente da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos populares contra toda forma de ingerência imperialista na América Latina, em solidariedade incondicional à luta e à resistência do povo palestino e pelo fim de todos os pactos econômicos, militares e diplomáticos com o Estado sionista de Israel e a máquina de guerra estadunidense.

Fonte: Esquerda Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *