Cientistas buscam soluções para ameaça do Super El Niño a corais

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Por Tiago Souza — Carta Capital

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Pesquisadores testam desde canções submarinas até mudanças de profundidade para ajudar corais a resistir às mudanças climáticas

Pesquisadores de instituições como a Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), nos Estados Unidos, e a Universidade de Derby, no Reino Unido, ampliaram o conjunto de técnicas para tentar preservar recifes de coral diante do aquecimento recorde dos oceanos. Segundo reportagem publicada na revista Nature, o super El Niño em formação no Pacífico, somado ao aquecimento global de origem humana, levou a temperaturas marítimas que colocam corais em risco de branqueamento e morte em larga escala.

No Caribe, alto-falantes subaquáticos instalados em recifes degradados reproduzem gravações de ambientes saudáveis, como os estalos de camarões e o ruído de peixes. A aposta é que larvas de coral flutuantes, com menos de um milímetro, sejam atraídas pelo som e se fixem nesses locais para se desenvolver. A descoberta de que larvas de coral respondem a estímulos sonoros foi feita por Aran Mooney, bioacústico marinho da WHOI, que lidera o projeto.

Em experimentos com a espécie Porites astreoides, larvas expostas a gravações de recifes saudáveis se estabeleceram quase duas vezes mais do que aquelas sem o tratamento sonoro. Os resultados foram publicados em artigo na Royal Society Open Science. “Recifes saudáveis transmitem som naturalmente por toda parte”, afirmou Mooney à Nature.

Levantamento publicado em agosto por centenas de cientistas aponta que a cobertura de coral duro entre 2020 e 2024 ficou 9,5% abaixo da registrada entre 1980 e 2009. Apenas em 2024, ano de calor recorde, a queda foi de 8,9% em relação a 2023, o maior recuo anual já observado. O branqueamento ocorre quando o coral expulsa as algas simbólicas das quais obtém nutrientes, o que pode levar à morte do organismo.

Segundo Amy Apprill, geoquímica marinha que lidera a equipe de restauração da WHOI, o acúmulo de eventos de estresse térmico reduz a capacidade de recuperação dos recifes. Ela compara a situação a contrair covid-19, gripe e ainda enfrentar pressão no trabalho ao mesmo tempo. O branqueamento deste ano ocorre menos de um ano após o fim do último evento global, encerrado em 2025.

Além das canções submarinas, pesquisadores testam a transferência de corais de águas rasas para regiões mais profundas e frias e a inoculação de microrganismos protetores nos recifes. Michael Sweet, biólogo da Universidade de Derby, estuda o uso do microbioma do coral para reforçar sua resistência. Projetos de jardinagem de coral também avançam na seleção de variedades mais tolerantes ao calor e à acidez.

Giovanni Strona, ecologista do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, afirma que mesmo nos modelos mais otimistas para a temperatura futura dos oceanos é esperado branqueamento em larga escala em todas as regiões. Projeções citadas por ele indicam quase completa destruição dos recifes até o fim do século. Um estudo de 2025 do qual participou sustenta que, sem aumento expressivo de financiamento ou avanço tecnológico, a restauração não será suficiente para evitar perdas extensas.

Os cientistas ouvidos pela reportagem da Nature são unânimes ao afirmar que a prioridade para proteger os corais é reduzir as emissões de gases de efeito estufa e conter pressões locais, como pesca excessiva e poluição. Modelos climáticos indicam que limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima da média pré-industrial pouparia parte dos recifes de eventos repetidos de branqueamento. Em um cenário de 2 °C, quase todos os recifes enfrentariam branqueamento severo com regularidade.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


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Fonte: Carta Capital

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