Dois pesos: mídia esconde rolex e orgias de Flavio e destaca suposta viagem de Fabio Lula

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Por Tereza Cruvinel — Brasil 247

A força da verdade tarda, mas não falta. Ela é que traz à luz fatos graves de um recente e tenebroso passado de Flavio Bolsonaro, como tráfico de influência, recebimento de presentes, participação em orgias e outras condutas ilícitas, como mostrou com riqueza de detalhes a reportagem de Rodrigo Rangel no site PlatôBR.

Os grandes veículos, entretanto, vêm ignorando tais revelações, que incluem o recebimento de um relógio rolex de R$ 305 mil e o pagamento sistemático de despesas pessoais por um lobista.  Nas mesmas 24 horas que se seguiram à publicação do PlatôBR, os jornalões, seus sites e as emissoras de TV foram pródigos em repercutir matéria da jornalista Malu Gaspar em O Globo, afirmando que a empresária Roberta Luchsinger bancou uma viagem à Escandinávia para o filho do presidente Lula, Fábio Luís e sua família, ao custo de R$ 1,8 milhão.  Mais uma vez, a jornalista foi beneficiada por um vazamento seletivo da Polícia Federal.

Notícia, se bem apurada, é para ser publicada, doa em quem doer. O que eu aponto aqui é a assimetria no tratamento. Ao contrário da matéria sobre a viagem de Fabio, amplamente reproduzida por outros veículos, a densa reportagem do PlatôBR só encontrou eco maior em mídias independentes ou regionais.

A Folha de S. Paulo, falsamente isentona, falou do assunto de forma canhestra. Em vez de reproduzir as graves revelações sobre Flávio, preferiu dizer que o “PT explora reportagem que liga Flavio Bolsonaro a garotas de programa e rolex e candidato evita responder”. Fez o chamado “deslocamento do fato”, ao invés de tratar dele.

Se o rolex tivesse sido dado a Fabio Luís ou a algum aliado de Lula estaria sendo escondido assim pela mídia? Duvido.

As coisas escabrosas contadas pelo Platô, em outras condições, já teriam produzido uma “notícia crime” por parte do Ministério Público, e uma investigação já estaria aberta contra o ministro Kassio Nunes. A matéria revela atuação de Flavio para aproximar lobistas do ministro indicado por seu pai.

Como deputado estadual no Rio, Flavio atolou-se no escândalo da fachadinha mas, graças à ascensão do pai e à sua eleição como senador em 2018, livrou-se do processo.

Chegando ao Senado, lambuzou com o poder trazido pela nova condição política e familiar. Começou comprando a casa de mais de R$ 6 milhões com o suspeito financiamento do BRB, que só devia financiar moradias populares. A gente não sabia mas o BRB já vinha tendo uso político pelo grupo no poder.

A partir de 2019, conta o Platô, Flavio e seu sócio naquela loja de chocolates no Rio, Alexandre Ferreira Dias Santini, entregaram-se à luxúria, à corrupção passiva e ao tráfico de influência. Santini organizava orgias sexuais coletivas em hotéis de luxo, em Brasília e no Rio, com garotas de programas. E dinheiro não faltava.

Tudo ia bem até que os dois se desentenderam por conta do fechamento da loja de chocolates. Santini sentiu-se lesado, queria mais dinheiro. Passou a ameaçar Flavio e a compartilhar informações perigosas com terceiros.

Flavio, inicialmente, ignorou o ex-sócio. Como senador, ele havia encontradp novos parceiros interessados em sua especial influência. Um deles foi o advogado Willer Tomaz, na época sócio de Daniel Vorcaro naquele avião em que já voaram Flavio e o ministro Alexandre de Morais.  Willer também tinha um “racho” na periferia de Brasília para encontros libertinos. Ele é barra pesada. Está sendo investigado por suposta lavagem de dinheiro via Bets: em 18 meses, apostou R$ 6,6 bilhões.

Achegou-se também o advogado Alan Belaciano, com sua teia de interesses no governo Bolsonaro e no Judiciário. Segundo Santini, além de propiciar ao senador festas, orgias e viagens, ele pagou os equipamentos de academia, uma TV de 75 polegadas para a casa recém comprada e o rolex de R$ 305 mil, colocando as notas fiscais em seu próprio nome. Belaciano bancava tudo para Flávio, inclusive reparos e adaptações na casa. Substituiu Santini como caixa e operador do senador.

Todas estas informações, e até mesmo cópias de mensagens e fotos de notas fiscais, Santini compartilhou com amigos e conhecidos. Durante a briga ele chegou a dizer: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”. Numa mensagem, mencionou o fato de Flavio ter intermediado o encontro de um cliente com o ministro Kassio Nunes.

Sua maior ousadia foi contar a Fernanda, mulher de Flavio, sobre as orgias de que o marido participava, o que gerou grave crise conjugal que quase terminou em divórcio, O casal se reconciliou e Fernanda até tentou mediar um acordo entre eles.

A matéria não revela e parece não ter descoberto o que foi que Flavio deu a Santini para encerrar a briga. O que ele sempre quis foi mais dinheiro por sua cota na loja. Alguém deve ter dado o “cala boca” ao ex-sócio, pois é fato que os dois se reconciliaram e hoje Santini apoia o candidato do PL. As tenebrosas histórias que ele revelou, entretanto, ganharam pernas, apesar do desinteresse da grande mídia.

Fonte: Brasil 247

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