Quase 700 novas bets ilegais surgem no Brasil após proibição, aponta levantamento
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O aparecimento de quase 700 novas bets ilegais desde a última sexta-feira (25) expôs os desafios das autoridades para combater o mercado clandestino de apostas online, informa o Jornal Nacional, da TV Globo. O levantamento do Observatório Independente constatou o avanço dessas plataformas não autorizadas logo após o anúncio da medida provisória do governo federal que proibiu as apostas no país.
Segundo os dados da plataforma Bet Legal, 58 novos sites de apostas não autorizados surgiram imediatamente após a divulgação da medida. No sábado (26), a expansão continuou com a identificação de mais 334 páginas. O número seguiu em ritmo crescente até o início da noite de terça-feira (29), quando o total chegou a quase 700 endereços ilegais.
As apostas online no Brasil estão proibidas desde a última sexta-feira, interrompendo um período de quase três anos após a regulamentação inicial do setor pelo governo. As empresas que operavam legalmente até então têm autorização para manter seus serviços acessíveis até 5 de outubro, exclusivamente para permitir que os clientes resgatem o saldo remanescente de suas contas. Após essa data, as páginas e os aplicativos serão totalmente retirados do ar.
Para conter as irregularidades, o governo afirmou ter constituído uma força-tarefa de fiscalização. O Ministério da Justiça divulgou um primeiro balanço com a solicitação do bloqueio de mais de 5,2 mil sites clandestinos e a notificação de duas lojas virtuais para a remoção de 186 aplicativos de apostas até o prazo de 5 de outubro. As autoridades também identificaram 390 perfis e páginas em redes sociais dedicados à propaganda de apostas ilegais e exigiram a retirada desse conteúdo.
Outra frente de combate estabelecida pela medida provisória é a restrição ao sistema financeiro, proibido de intermediar e processar transações destinadas a plataformas de apostas. Com essa regra, o Executivo busca rastrear a movimentação financeira no mercado ilegal.
“Nós não tínhamos instrumentos legais para ir atrás do dinheiro. A MP trouxe obrigações às instituições financeiras. O Banco Central já regulamentou duas resoluções e essas resoluções permitem que nós possamos ir atrás para onde vai o dinheiro”, disse Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública.
Apesar do balanço governamental, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) teceu críticas às ações. Em nota, a entidade declarou que menos da metade dos mais de 5,2 mil sites indicados pelo Executivo teve o bloqueio efetivado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Para exemplificar o obstáculo na contenção dessas redes, a ANJL citou dados de seu próprio sistema de monitoramento, que registrou 894 novos sites ilegais apenas na segunda-feira (28), reafirmando a complexidade de frear o surgimento constante de novas páginas.
Fonte: Brasil 247