Adesivo para espinha funciona? Veja quando vale usar

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Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 09:00

Camila Leão

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Os adesivos de espinha – também chamados de  pads de espinha  –  ganharam destaque nas prateleiras de farmácias e lojas de beleza. Transparentes, coloridos, em formato de estrela, coração e até de materiais veganos , com promessas de secar espinhas da noite pro dia ou tratar a pele. Os adesivos de espinha, em inglês pimple patches , viraram febre principalmente entre jovens e adolescentes.

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Nas redes sociais, viralizam vídeos ironizando aqueles que escondem a espinha utilizando adesivos considerados ainda mais chamativos .  Enquanto alguns fazem piada, outros fazem sucesso com vídeos em ASMR, sensoriais e altamente virais, removendo os adesivos, que muitas vezes saem com o pus da espinha.

O item ganhou força por volta de 2012 como produto de K-beauty, a tecnologia coreana de cuidados com a pele. Mas foi em 2020 que o conceito de curativos para espinha viralizou, com a cultura de redes sociais transformando o produto em símbolo de positividade corporal e até acessório estético. Mas será que os adesivos realmente funcionam?

Para falar de um produto para espinha, o primeiro passo é entender de onde vem a espinha. Segundo a dermatologista Juliana Drummond, a acne é um processo inflamatório da pele que pode surgir por diferentes motivos, como alterações hormonais e até processos genéticos. Sendo comum na adolescência, pode sim ressurgir na vida adulta. Fatores como tipo de pele e até alimentação também influenciam a saúde cutânea.

A médica conta que a febre do skincare, cuidados com a pele, é benéfica no sentido de entender e cuidar melhor da saúde da pele. Mas trouxe um efeito colateral sério: muita gente jovem compra produtos só pela moda, sem saber se são adequados para o próprio tipo de pele, e isso pode até piorar as espinhas em vez de ajudar.

A estudante de jornalismo Maria Jullya Carvalho, de 21 anos, conta que descobriu os adesivos navegando nas redes sociais, assistindo a blogueiras em quem confia e utilizando. “Normalmente não costumo ter muitas espinhas, então uso quando elas surgem mais inflamadas, mais à noite enquanto durmo”, conta.

Segundo Juliana, o uso pontual é justamente a proposta dos adesivos, mas ainda assim são necessários cuidados por se tratar de um produto com componentes químicos.

A grande maioria dos adesivos tem em sua composição hidrocoloide. “O hidrocolóide é um composto cicatrizante”, explica Juliana. “Ele ajuda realmente na cicatrização da lesão com pus e evita que a pessoa mexa ou esprema”. 

Alguns adesivos também levam ácido salicílico, que é secativo, mas o hidrocolóide puro tem menos risco de irritar a pele

Juliana Drummond  Dermatologista

O composto é o mesmo utilizado em curativos de feridas e até em pacientes acamados em hospitais, por causa da ação cicatrizante. Alguns produtos somam a ele o ácido salicílico, um ativo secativo usado no tratamento da acne, mas que pode irritar peles mais sensíveis. Por isso, é necessário consultar um médico e analisar o produto mais adequado para cada pele.

Na teoria, o adesivo cria uma espécie de barreira sobre a espinha: por dentro, os compostos absorvem a secreção e ajudam na cicatrização. Por fora, protegem a acne do contato com maquiagem, poluição e a própria pessoa, que muitas vezes espreme ou “cutuca” a inflamação.

Para a Maria  Jullya , o resultado é perceptível: “Sinto que ele suga, tira o ‘pus’ e a espinha some bem mais rápido. Virou um item de que não consigo abrir mão na rotina quando surge uma intrusa. Antes eu passava bastante hidratante e ainda faço isso, mas com os adesivos o processo de cuidado é bem mais rápido”, conta.

A ciência confirma a eficácia, mas aponta ressalvas.  Segundo a dermatologista, os adesivos não funcionam para tudo. “É indicado para a espinha inflamada, com pus, que se apresenta como uma bolinha amarela, não tendo efeito nenhum sobre cravos nem sobre as chamadas espinhas internas”, diz Juliana  Drummond . 

A moda também não é preventiva: colar adesivos não evita o surgimento de novas espinhas e o seu uso desregulado pode gerar um efeito rebote. “O uso de produtos não específicos para cada tipo de pele pode, inclusive, desencadear acne. Então, às vezes, a pessoa está tentando melhorar a pele e acaba piorando quando não usa um produto específico para a pele dela”, pontua a médica. “O ideal é que quem tem acne faça um tratamento de controle para o rosto inteiro, usando produtos específicos, e reservando os adesivos para uso pontual e ocasional”, pontua a médica.  O adesivo cicatriza, protege e evita que você piore a lesão da acne. O uso não resolve o problema isoladamente, sendo necessário seguir orientações médicas para melhor utilização. 

*Este conteúdo foi produzido por Camila Leão, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Guilherme Sillva. 

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