Trabalhadores do CS de Barão Geraldo organizam paralisação contra o desmonte da saúde

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Por Sarah Micoski — Esquerda Diário

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Hoje o Centro de Saúde Atílio Vicentin, de Barão Geraldo, amanheceu paralisado. A paralisação é uma resposta dos trabalhadores à precarização da saúde em Campinas, que se expressa neste CS (Centro de Saúde) na existência de uma fila de mais de 2.800 pessoas aguardando agendamento de consulta e mais de 200 receitas aguardando renovação — fruto da falta gritante de funcionários.

Para dar dimensão do tamanho do desmonte, mencionamos que o Atílio Vicentin conta hoje apenas com uma única psicóloga, a qual atende ainda o CS Village e precisa alternar entre cobrir um e o outro. A mesma situação ocorre com a pediatria, área em que o Centro de Saúde de Barão Geraldo também divide com outro CS uma única profissional. Quem paga o custo dessa política de precarização são os trabalhadores da saúde e a população, que depende desse serviço.

Essa situação é fruto da política levada à frente pela extrema-direita de Dário Saadi em Campinas, e não se limita aos Centros de Saúde: o hospital Ouro Verde também opera em condições insalubres e vive é permeado há anos por um enorme escândalo de corrupção, e o hospital Mário Gatti vem à mente toda vez que se fala de superlotação e precariedade — algo que teve forma especialmente escandalosa durante a pandemia de COVID-19.

O mesmo projeto a nível estadual, levado à frente pelo governo Tarcísio de Freitas, é responsável pelo processo de autarquização do complexo hospitalar da Unicamp. De conjunto, esse projeto busca entregar os serviços públicos nas mãos da iniciativa privada e colocar o lucro em primeiro lugar — fazendo a classe trabalhadora pagar com a vida.

O desmonte da saúde se apoia diretamente no esganamento do orçamento público que se opera a partir do Arcabouço Fiscal, que ameaça diretamente o piso constitucional da enfermagem e serve de base para a privatização dos serviços públicos.

Frente a isso, declaramos nosso total apoio à luta dos trabalhadores do Centro de Saúde Atílio Vicentin e chamamos todos os estudantes, trabalhadores e usuários do CS a se somarem à mobilização contra a precarização da saúde e pelo acesso da população a um atendimento digno.

Reproduzimos abaixo a carta aberta divulgada pelos trabalhadores em luta:

CARTA ABERTA DOS FUNCIONÁRIOS DO CENTRO DE SAÚDE ATÍLIO VICENTIN – BARÃO GERALDO

Nós, funcionários do Centro de Saúde Atílio Vicentin, de Barão Geraldo, diante da crescente sobrecarga de trabalho, de insuficiência do quadro de profissionais e da ausência de reposição de servidores, enfim, diante da total precariedade de Recursos Humanos; manifestamos nossa preocupação com as condições atuais de trabalho e com os impactos dessa situação na qualidade, na segurança e na continuidade da assistência prestada à população.

Após Reunião Extraordinária entre as/os trabalhadoras/es e o Conselho Local de Saúde com seus devidos representantes, tanto de trabalhadoras/es, Coordenação, usuários, na presença também do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Campinas, apresentamos as seguintes reivindicações, que consideramos EMERGENTES.

1. Recomposição imediata do quadro médico das equipes, que são 5 equipes, das quais no momento apenas 3 contam com médica, entretanto 2 destas estão em vias de exoneração e aposentadoria já anunciadas informalmente.

  • Contratação de 4 médicos concursados, com jornada de 36 horas semanais, para recomposição das equipes e garantia da assistência adequada à população.

2. Contratação/reposição imediata de profissionais essenciais

  • 1 pediatra;
  • 1 psiquiatra;
  • 1 psicólogo(a);
  • Enfermeiro(a) Matricial e
  • Técnicos(as) de enfermagem, de acordo com o dimensionamento de pessoal.
  • 2 recepcionistas, diante da demanda existente.

3. Complementação imediata do quadro de Agentes Comunitários de Saúde, com a contratação de 10 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), visando recompor as equipes, ampliar a cobertura territorial, fortalecer o acompanhamento das famílias e garantir o vínculo entre a população e o Centro de Saúde.

4. Reposição dos profissionais que deixaram o serviço

  • Reposição de todos os profissionais que deixaram o serviço sem reposição dos mesmos, acarretando sobrecarga dos trabalhadores que permanecem no serviço.

5. Retorno dos médicos residentes e demais residentes.

  • Retomada da presença dos residentes médicos e demais residentes que anteriormente contribuíam para o funcionamento dos atendimentos preconizados pela Estratégia de Saúde da Família deste Centro de Saúde.

6. Melhores condições de trabalho

  • Garantia de condições adequadas para que os profissionais possam exercer suas funções com segurança, qualidade e responsabilidade, sem sobrecarga decorrente da falta de trabalhadores.
  • A Construção do Centro de Saúde do Real Parque, visto que o Centro de Saúde Atílio Vicentin de Barão Geraldo não comporta as necessidades e demandas deste território.

Solicitamos que essas reivindicações sejam recebidas pela gestão e que sejam apresentadas medidas concretas, com prazos definidos, para a recomposição das equipes e a melhoria das condições de trabalho.

Entendemos que valorizar os trabalhadores e garantir equipes completas é também garantir o direito da população a uma assistência à saúde adequada, segura e de qualidade conforme preconizada pelo SUS.

Campinas, 28 de setembro de 2026.

Funcionários do Centro de Saúde Barão Geraldo

Fonte: Esquerda Diário

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