FIFA acusa UEFA de campanha de desinformação em disputa sobre venda da Copa
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A FIFA acusou a UEFA de promover uma “campanha de desinformação” contra o presidente da entidade, Gianni Infantino, e afirmou que uma iniciativa judicial apresentada pela confederação europeia teria como objetivo interferir na eleição presidencial marcada para março. As acusações constam de uma manifestação encaminhada pela FIFA a uma corte federal dos Estados Unidos, segundo reportagem da Reuters publicada nesta terça-feira (29).
A entidade máxima do futebol mundial pediu à Justiça norte-americana que rejeite uma solicitação da UEFA para obtenção de documentos e depoimentos relacionados a um projeto, posteriormente abandonado, envolvendo os direitos comerciais da Copa do Mundo.
No mês passado, a UEFA solicitou autorização judicial nos Estados Unidos para reunir provas que pretende utilizar em uma possível denúncia criminal na Suíça contra Infantino. O caso envolve a proposta de transferir direitos comerciais da Copa do Mundo para uma subsidiária denominada FIFA Forward Enterprise (FFE).
Em sua resposta, a FIFA afirmou que o documento apresentado pela UEFA contém “numerosas declarações falsas ou enganosas sobre a FIFA e Infantino”.
“Sem qualquer fundamento, a UEFA sugere que o senhor Infantino tentou obter benefício pessoal com a proposta da FFE”, afirmou a FIFA no documento protocolado no Distrito Sul da Flórida.
A entidade também rejeitou a hipótese de que o projeto tenha sido estruturado para beneficiar o dirigente.
“Como explicado, o plano da FFE estava sujeito à aprovação tanto das associações-membro da FIFA quanto do Conselho da FIFA, e a FFE estaria sujeita à supervisão de ambos os grupos dentro da FIFA.”
Na sequência, a organização acrescentou: “As sugestões da UEFA de que o senhor Infantino violou qualquer lei ou princípio ético são categoricamente desprovidas de mérito.”
Procurada pela Reuters, a UEFA não comentou as afirmações.
Divergência sobre avaliação bilionária
A disputa também envolve a avaliação financeira da FIFA Forward Enterprise. Segundo a UEFA, Infantino teria elaborado a proposta de forma reservada, ao lado de um pequeno grupo de assessores e investidores, sem seguir os procedimentos habituais de governança da FIFA.
A confederação europeia sustenta que o Conselho da FIFA, as confederações continentais e as associações nacionais não teriam sido devidamente consultados sobre o projeto.
No pedido apresentado à Justiça norte-americana, a UEFA busca obter documentos e depoimentos de duas entidades da FIFA sediadas na Flórida: FIFA (AMERICAS), Inc e FWC2026 US, Inc.
Segundo a UEFA, investidores pagariam US$ 4,2 bilhões por uma participação na FIFA Forward Enterprise, em uma operação que atribuía ao negócio um valor patrimonial de aproximadamente US$ 20 bilhões.
A confederação argumentou que a cifra representava uma subavaliação significativa dos direitos comerciais da FIFA e alegou que a proposta não passou por um processo aberto de concorrência nem por uma avaliação independente.
A FIFA contesta essa interpretação e afirma que a UEFA estaria confundindo dois conceitos financeiros distintos: valor patrimonial e valor da empresa.
“A UEFA, deliberadamente ou por desconhecimento, confunde valor patrimonial com valor da empresa”, declarou a FIFA.
A entidade acrescentou que a avaliação inicial de US$ 20 bilhões correspondia ao valor destinado aos acionistas depois do pagamento de eventuais dívidas.
“É incontestável que a ‘avaliação patrimonial inicial’ da FFE — ou seja, ‘o valor que permanece para os acionistas depois que todas as dívidas tenham sido pagas’ — era de US$ 20 bilhões.”
De acordo com a FIFA, materiais distribuídos às suas associações-membro indicavam que o valor total da empresa ultrapassaria US$ 30 bilhões.
“Materiais distribuídos às associações-membro da FIFA revelam que o ‘valor da empresa’ total da FFE, por outro lado — ou seja, ‘o valor integral do negócio’ — era muito superior a US$ 30 bilhões.”
A FIFA afirmou ainda que o valor empresarial da FFE seria mais de duas vezes superior ao valor patrimonial citado no processo e, portanto, estaria acima do patamar que a própria UEFA consideraria adequado.
Projeto foi abandonado após resistência
O projeto da FIFA Forward Enterprise acabou abandonado em julho, depois de enfrentar resistência de diferentes confederações.
Além da UEFA, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol se opuseram à proposta, principalmente devido às críticas sobre falta de consulta durante sua elaboração.
A controvérsia aumentou a pressão por mudanças nos mecanismos de governança e de tomada de decisões dentro da FIFA.
Na semana passada, Infantino enviou uma carta às 211 associações nacionais filiadas propondo a realização de uma revisão independente dos processos decisórios da entidade.
FIFA cita eleição presidencial
O mandato de Infantino será submetido a uma nova eleição em março, e a FIFA sustenta que as medidas judiciais da UEFA estão relacionadas diretamente à disputa pelo comando da organização.
“Pouco antes da eleição da FIFA, a UEFA apresentou esta solicitação 1782 — e outras três — disseminando desinformação a respeito do senhor Infantino”, afirmou a entidade.
No documento, a FIFA pediu que a Justiça não permita que o processo seja utilizado como instrumento de interferência na eleição.
“Este tribunal deve rejeitar qualquer tentativa de influenciar a eleição presidencial da FIFA com base nesses argumentos.”
Infantino, dirigente suíço, preside a FIFA desde 2016. O novo embate com a UEFA ocorre em meio a uma discussão mais ampla dentro da entidade sobre governança, processos decisórios e o controle de ativos comerciais ligados às principais competições do futebol mundial.
Fonte: Brasil 247