Vitória de Lula no primeiro turno depende de algo simples: a comparação de biografias
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente Lula afirmou acreditar na possibilidade de vencer a eleição presidencial já no primeiro turno, em 4 de outubro. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Lula sustentou que um dos elementos centrais para a decisão dos eleitores deve ser a comparação entre as biografias, a experiência e as realizações dos candidatos.
“Acho que na comparação de um vice-presidente que foi 16 anos governador de São Paulo e um presidente que já ocupou esse cargo por 12 anos, com as coisas que nós entregamos nesse país, não tem comparação. Por isso que eu acho que nós vamos ganhar as eleições no primeiro turno”, afirmou Lula, referindo-se também ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
A avaliação de Lula ocorre na reta final de uma disputa apertada. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (28), realizada entre 25 e 27 de setembro, aponta o presidente com 42% das intenções de voto no cenário estimulado, ante 37% de Flávio Bolsonaro (PL).
Na entrevista, Lula argumentou que o eleitor deve observar não apenas as promessas apresentadas durante a campanha, mas aquilo que cada candidato já realizou ao longo de sua trajetória pública. Sua aposta é que a comparação entre experiências de governo e resultados concretos pode ser decisiva nos últimos dias da campanha.
Reforma política
Lula também defendeu uma reforma política profunda, com o fortalecimento de partidos que tenham programas, princípios e compromissos claros com a sociedade.
“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético”, afirmou.
O presidente criticou o atual sistema de financiamento eleitoral e afirmou ter revisto posições anteriores sobre os fundos partidário e eleitoral. Também voltou a atacar o chamado orçamento secreto e a fragmentação do sistema partidário.
Mudanças no Supremo
Outro tema abordado foi o funcionamento do Poder Judiciário. Lula defendeu mudanças nos critérios de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal e afirmou considerar vulnerável o atual modelo de indicação.
Entre as possibilidades mencionadas está a criação de um conselho formado por juristas e representantes da sociedade para participar do processo de seleção dos nomes. Lula também defendeu a discussão sobre a adoção de mandatos para ministros do STF.
Religião e respeito
Lula voltou a defender o respeito à diversidade religiosa. O presidente afirmou que nenhuma religião deve ser atacada e defendeu a convivência entre diferentes crenças.
Ao mencionar a controvérsia recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida, Lula ressaltou a importância da devoção à Padroeira do Brasil para milhões de brasileiros e recordou episódios anteriores de intolerância religiosa.
Crescimento e distribuição de renda
Na economia, Lula argumentou que o crescimento é um dos caminhos para melhorar a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto. O presidente defendeu uma estratégia que combine responsabilidade fiscal, expansão econômica e distribuição de renda.
Segundo Lula, o crescimento precisa chegar aos trabalhadores, aposentados e brasileiros de baixa renda, ampliando o consumo, o emprego e as oportunidades econômicas.
Segurança pública
O presidente também defendeu uma política de segurança baseada em inteligência e integração entre as forças policiais, combinada com uma presença permanente do Estado nos territórios mais vulneráveis.
Lula argumentou que o combate ao crime não pode se limitar às operações policiais. Para ele, comunidades precisam receber escolas, formação profissional, cultura, esporte e lazer, criando alternativas principalmente para crianças e jovens.
“Acabar com as bets antes que elas acabem com o Brasil”
Lula voltou ainda a defender sua decisão de proibir as apostas on-line. O presidente afirmou que os efeitos das bets sobre as famílias brasileiras se tornaram graves e classificou a ludopatia como uma doença que exige resposta do poder público.
“Resolvi acabar com as bets antes que elas acabem com o Brasil”, afirmou durante a entrevista.
Lula também rejeitou o argumento de que o futebol brasileiro não poderia sobreviver sem os recursos das empresas de apostas. Para o presidente, os interesses econômicos envolvidos no setor não podem se sobrepor à proteção das famílias atingidas pelo vício, pelo endividamento e pelas perdas financeiras associadas aos jogos.
A entrevista ao Canal Livre foi exibida no domingo (27), a uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais.
Fonte: Brasil 247