Na reta final, Lula vai explorar rejeição a Flávio e o medo da volta de um Bolsonaro ao poder
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Lula entra na última semana antes do primeiro turno com uma estratégia voltada à conquista dos eleitores ainda indecisos e daqueles que hoje declaram voto em outros candidatos, mas rejeitam o retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A informação é da Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, Lula intensificará sua agenda nos últimos dias, com compromissos no Pará, Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A campanha pretende explorar principalmente a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL) e associar sua candidatura ao legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia ocorre em um cenário de disputa apertada. A Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) apontou Lula com 39% e Flávio com 34% no primeiro turno. Na simulação de segundo turno, os dois aparecem com 42%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 28 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-06520/2026.
A rejeição dos dois principais candidatos é considerada um dos fatores decisivos da reta final. De acordo com o Datafolha citado pela Folha, 45% dos entrevistados afirmam que não votariam de maneira alguma em Lula, mesmo percentual registrado por Flávio Bolsonaro.
É justamente entre os eleitores que não estão firmemente alinhados aos dois principais candidatos que a campanha pretende avançar. O objetivo é convencer quem considera votar em outros nomes, mas pode optar por Lula diante da possibilidade de um novo governo da família Bolsonaro.
A campanha também avalia que acontecimentos recentes podem produzir repercussão eleitoral. Entre eles estão a decisão do governo de proibir as apostas on-line e a controvérsia provocada pela circulação da falsa informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Debate da Globo
Lula também tende a não comparecer ao último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado pela TV Globo para quinta-feira (1º). Segundo aliados ouvidos pela Folha, a avaliação é que o presidente poderia se transformar no principal alvo dos demais candidatos, assumindo riscos numa etapa em que sua campanha busca evitar desgastes. A decisão, no entanto, ainda envolve discussões entre seus aliados.
A Globo informou às campanhas que o púlpito de um candidato ausente permanecerá vazio durante o programa. Flávio Bolsonaro confirmou participação.
Maratona pelos estados
A agenda da última semana também busca fortalecer candidatos aliados nas disputas estaduais. Depois do Pará, estão previstos compromissos em Fortaleza e Salvador, além de passagens por Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
No Ceará, Lula pretende reforçar a campanha de Elmano de Freitas, que disputa o governo estadual com Ciro Gomes. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o presidente buscará impulsionar Fernando Haddad na disputa contra o governador Tarcísio de Freitas.
Além das eleições estaduais, a campanha considera fundamental ampliar as bancadas aliadas na Câmara e no Senado. Lula vem argumentando que mudanças como a reforma política e alterações institucionais dependerão da correlação de forças no próximo Congresso.
São Paulo terá papel especial no encerramento da campanha. Como a legislação eleitoral impede grandes comícios nas 48 horas anteriores à votação, a equipe de Lula planeja uma caminhada na capital paulista no sábado (3), véspera do primeiro turno.
A eleição será realizada no domingo, 4 de outubro. Nos últimos dias, a aposta da campanha será intensificar a comparação entre os dois principais projetos políticos e tentar transformar a rejeição ao bolsonarismo em votos capazes de ampliar o desempenho de Lula no primeiro turno.
Fonte: Brasil 247