AGU aponta impacto de até R$ 141 bi das bets e prepara documento para levar ao STF

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A Advocacia-Geral da União (AGU) prepara um documento para apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) com dados sobre os efeitos econômicos, sociais e sanitários associados às apostas online no Brasil. A manifestação deverá sustentar a posição do governo pela manutenção do banimento dos jogos de apostas em discussão na Corte.

Segundo a coluna de Bela Megale, de O Globo, a AGU utilizará o prazo de 72 horas solicitado ao ministro Luiz Fux para reunir os indicadores. Entre os principais números está uma estimativa segundo a qual as apostas podem ter reduzido a atividade econômica brasileira entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025.

Impacto econômico pode chegar a R$ 141 bilhões

A estimativa de impacto sobre a atividade econômica será um dos principais argumentos apresentados pela AGU ao Supremo. O intervalo entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões corresponde a aproximadamente 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2025.

O cálculo não significa que esse montante tenha sido diretamente perdido pelos apostadores. Trata-se de uma estimativa do efeito mais amplo da transferência de recursos para as plataformas e da consequente redução do consumo em outros setores da economia.

O estudo que chegou à estimativa parte das perdas líquidas das famílias e utiliza um multiplicador para calcular quanto a redução dos recursos disponíveis para consumo pode repercutir sobre o conjunto da atividade econômica. Por isso, os valores representam uma simulação econômica baseada em premissas sobre o que ocorreria com esses recursos caso não fossem destinados às apostas.

Famílias tiveram perda estimada em R$ 62,5 bilhões

Outro número que deverá constar da manifestação é a estimativa de que as famílias brasileiras tiveram perda líquida de R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025.

Esse montante corresponde à diferença estimada entre os recursos transferidos pelos apostadores às plataformas e os valores devolvidos na forma de prêmios.

A AGU pretende argumentar que o efeito das apostas ultrapassa as perdas financeiras individuais, atingindo o consumo das famílias e outros segmentos da economia.

De acordo com os dados citados pela reportagem, os efeitos da inadimplência associados às apostas também teriam retirado aproximadamente R$ 143 bilhões do comércio varejista.

O documento deverá destacar a distribuição dos custos relacionados à atividade. Enquanto as receitas obtidas com as apostas permanecem com as plataformas, os efeitos do endividamento atingem as famílias, e parte dos gastos relacionados ao tratamento de problemas de saúde é absorvida pelo sistema público.

Saúde mental entra na argumentação da AGU

Além dos efeitos econômicos, a saúde mental será outro eixo da manifestação preparada para o STF.

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mencionada pela reportagem de O Globo, indicou que mais de 28 milhões de brasileiros fizeram apostas nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Desse universo, quase 11 milhões, equivalentes a 39% dos entrevistados, apresentavam padrão considerado de risco ou de uso problemático.

O levantamento associa as apostas a problemas como dependência, ansiedade, depressão, transtorno do jogo e ideação suicida. Esses indicadores deverão ser usados pela AGU para demonstrar que os possíveis custos da atividade não se restringem à esfera econômica.

Atendimentos no SUS cresceram 140%

A pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) também será apresentada ao Supremo.

Segundo os dados reunidos pela AGU e divulgados por O Globo, os atendimentos relacionados ao jogo patológico aumentaram 140% entre 2018 e 2025.

A argumentação deverá enfatizar que os custos dos tratamentos relacionados ao jogo recaem sobre o sistema público de saúde, enquanto os ganhos financeiros da atividade permanecem predominantemente na esfera privada.

A combinação entre aumento da procura por atendimento e expansão das apostas deverá integrar a fundamentação do governo sobre os efeitos sociais associados à atividade.

Baixa renda e jovens estão entre os mais vulneráveis

Os levantamentos que embasarão o documento também apontam que os impactos não se distribuem de maneira uniforme entre a população.

Pessoas de menor renda apresentariam risco três vezes maior de desenvolver problemas relacionados às apostas, segundo os dados citados pela coluna.

Jovens e adolescentes constituem outro grupo destacado pela AGU, apesar de menores de 18 anos serem proibidos de apostar.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, um em cada cinco estudantes já teria feito apostas online. Entre esses jovens, mais da metade estaria em situação de risco ou apresentaria padrão de uso problemático.

Fonte: Brasil 247

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