Presidente da Assembleia Geral da ONU cita fala do Brasil sobre acesso a inovações na saúde

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Por Lígia Formenti — JOTA

O presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Khaliur Rahman, citou nesta segunda-feira (28/9) um trecho do pronunciamento do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, em sua mensagem de encerramento da reunião sobre estratégias de enfrentamento a pandemias: “Inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”.

Os discursos foram proferidos na última sexta-feira (25/9). Rahman lembrou que a Covid-19 deixou claro o quanto as desigualdades podem se acirrar durante uma crise, ampliando a pobreza. As lições, completou, ressaltam a importância de planejar não apenas estratégias de desenvolvimento de tecnologias, mas também mecanismos que garantam o acesso.

Ausência

O trecho de Massuda citado por Rahman, por sua vez, usa uma frase habitualmente dita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). O ministro não compareceu ao encontro da ONU, realizado na semana passada, em virtude das restrições impostas pelos Estados Unidos à sua movimentação.

Determinadas em 2025, semanas antes da realização da Assembleia Geral das Nações Unidas, as medidas do governo dos Estados Unidos delimitavam a área em que o ministro brasileiro poderia se deslocar no país.

As restrições tiveram como justificativa o acordo feito pelo Brasil com Cuba em 2013, dentro do programa Mais Médicos.

Nesta sexta, ao iniciar seu pronunciamento, Massuda referiu-se ao episódio. “O governo brasileiro expressa seu profundo descontentamento com as restrições de movimentação impostas pelo país anfitrião desta Reunião de Alto Nível, que impossibilitaram a presença do ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, aqui hoje”, disse.

Financiamento justo

Ao destacar a importância do acesso a tecnologias para tratamento de saúde, incluindo vacinas e remédios, o presidente da assembleia ressaltou a necessidade de financiamento mais justo, de forma a garantir infraestrutura local e o acesso a dados.

Rahman observou ainda que os preparativos para pandemias demandam o envolvimento de outros setores. Neste aspecto, destacou a importância do olhar cuidadoso para a saúde animal e ambiental e a vulnerabilidade climática. O presidente citou ainda a necessidade da construção de condições para que haja um clima de confiança nos sistemas de saúde pública, o que inclui a comunicação e cooperação nas fronteiras.

Cooperação

Massuda, por sua vez, lembrou da importância de se combater a desinformação sobre saúde e da necessidade de cooperação. “Nenhum país consegue alcançar uma segurança sanitária duradoura agindo isoladamente”, disse.

O secretário observou ainda que, apesar das restrições financeiras, o multilateralismo permanece como ferramenta poderosa. “Um financiamento sustentável e previsível, particularmente para os países em desenvolvimento, é essencial.”

Fonte: JOTA

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