Trabalhadores de aplicativos querem taxa menor, e só 7,7% pedem mais corridas
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Pesquisa com motoristas e entregadores mostra que a renda líquida pesa mais que o volume de chamadas e que 43,6% têm ganhos pouco ou nada previsíveis
Para quem trabalha com aplicativos de transporte e entrega, o problema da renda está menos na falta de chamadas e mais na fatia que sobra depois das taxas cobradas pelas plataformas. Entre motoristas e entregadores ouvidos em pesquisa nacional, 67,5% apontam a redução dessas taxas como a principal medida para aumentar os ganhos.
Em contraste, só 7,7% veem em mais corridas ou entregas o caminho para elevar a renda. Outros 9,9% citam programas de benefícios e incentivos, 9,5% gostariam de saber quanto vão ganhar antes de aceitar uma chamada e 5,4% defendem outros modelos de remuneração.
O contingente de profissionais nessa situação aumentou nos últimos anos. O número de pessoas que trabalham por meio de plataformas cresceu 25,4% entre 2022 e 2024, com mais de 300 mil novos profissionais, e quase 72% delas estão na informalidade, segundo a Pnad Contínua, do IBGE.
Os dados sobre taxas estão no levantamento “Entre taxas e previsibilidade: profissionais de aplicativos opinam sobre novos modelos de trabalho”, feito pela GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação. A GigU oferece uma ferramenta que ajuda motoristas a calcular se uma corrida compensa.
Na prática, o trabalhador parece medir o retorno de cada hora trabalhada, mais do que o volume de pedidos. Se cada corrida extra vem com uma taxa que corta boa parte do valor, aceitar mais chamadas pode significar trabalhar mais para ganhar, proporcionalmente, menos.
Por isso, a remuneração líquida passa a ser o ponto de partida da discussão sobre o futuro do trabalho em plataformas.
Além disso, a dificuldade de prever quanto vai entrar agrava o quadro. Segundo o levantamento, 43,6% dos profissionais classificam os ganhos como pouco ou nada previsíveis, 44,6% como razoavelmente previsíveis e apenas 11,8% como muito previsíveis.
Com isso, a pergunta de quem está na ponta deixa de ser quanto o aplicativo movimenta ou quantas chamadas oferece. O que conta é quanto sobra no fim do dia e se dá para antecipar esse valor.
O debate tende a se intensificar à medida que as empresas testam novos modelos de cobrança e remuneração. A taxa menor é a opção mais desejada, mas a pesquisa também registra demanda por clareza sobre o valor das chamadas e por mecanismos que reduzam a oscilação da renda.
Embora diferentes, essas demandas apontam na mesma direção, que é permitir ao profissional calcular se o tempo e os custos da atividade compensam.
Para Luiz Gustavo Neves, CEO da GigU, o profissional faz uma conta que vai além do número de corridas. “Ele está fazendo uma conta mais completa, que envolve a margem de lucro, o valor que recebe e a previsibilidade dessa renda”, afirma.
Segundo o executivo, modelos que melhorem essa equação tendem a pesar mais para os trabalhadores de aplicativos do que o simples aumento no volume de chamadas.
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Fonte: Carta Capital