Papa Leão XIV faz apelo contra abuso de menores na Igreja na França
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Durante sua viagem apostólica à França neste domingo (27), o papa Leão XIV fez um apelo contundente contra o abuso de menores no âmbito da instituição religiosa, exortando a Igreja Católica a admitir suas próprias falhas e a curar feridas profundas. O pontífice discursou diante de bispos em Lourdes e, horas mais tarde, manteve encontros programados com vítimas de violência sexual cometida por membros do clero. A visita ocorre em um cenário de profunda comoção social no país europeu, impulsionado historicamente por relatórios independentes que dimensionaram a escala sistêmica de agressões contra crianças ao longo de décadas.
Papa Leão XIV pede máxima vigilância e coragem para enfrentar o passado eclesiástico
Dirigindo-se aos membros da Conferência Episcopal Francesa no sudoeste do país, o pontífice reconheceu a gravidade dos crimes e exigiu rigor contínuo na prevenção. Segundo o Vaticano, o líder católico destacou que a hierarquia eclesial precisa manter a guarda elevada diante de episódios que comprometeram a credibilidade da instituição. “Adotaram medidas corajosas para os combater, através da escuta, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e de um compromisso firme em prol duma cultura de prevenção e proteção contra estes crimes”, declarou o papa. O religioso também enfatizou a necessidade de perseverança em meio aos desafios enfrentados pelas dioceses locais.
Santuário de Lourdes acolhe discursos sobre reparação e repercussão de relatórios históricos
A escolha de Lourdes como palco para as declarações sobre os abusos possui forte ressonância institucional, considerando o histórico de escândalos que abalaram o catolicismo francês. Um relatório publicado em 2021 revelou que cerca de 330 mil crianças foram vítimas de abusos cometidos por membros da Igreja e líderes leigos ao longo de setenta anos no país. Antes de discursar aos bispos, Leão XIV parou diante da escultura “A Criança que Chora”, monumento instalado no local para assegurar que a violência sistêmica não caia no esquecimento. A pauta de reparação e o acolhimento às vítimas marcam os eventos centrais do itinerário papal em solo francês, contrapondo-se a debates sobre a reconstrução da imagem pública da entidade religiosa.
Encontro privado com vítimas evidencia ceticismo e desafios para a credibilidade institucional
Setores da sociedade civil e associações de defesa dos direitos das vítimas mantêm postura de cautela em relação à efetividade das mudanças estruturais. Organizações locais apontam que o ritmo das transformações internas ainda transcorre de forma lenta frente à magnitude das denúncias acumuladas. A expectativa em torno do encontro a portas fechadas entre o pontífice e sete vítimas francesas reflete a urgência de respostas concretas e de um alinhamento efetivo entre a retórica de tolerância zero e a aplicação rigorosa de punições e diretrizes protetivas nas dioceses ao redor do mundo.
Fonte: Brasil 247