Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
Por Monique Lima — Seu Dinheiro

Luis Stuhlberger vem carregando um seguro que, na visão dele, custa pouco para um benefício potencialmente grande: exposição ao dólar.
O fundador e CIO da Verde Asset revelou em evento da Monte Bravo nesta semana que mantém posições cambiais de longo prazo para se proteger de um eventual agravamento dos riscos fiscais e institucionais no Brasil.
A preocupação vai além de uma simples alta ou queda do dólar.
O gestor disse enxergar o risco de que, em um cenário de crise mais aguda, futuros governos recorram a medidas de controle de câmbio que dificultem o acesso dos investidores à moeda norte-americana.
Segundo Stuhlberger, um dos caminhos poderia ser o aumento de tributos sobre operações cambiais, como o IOF (Imposto Sobre Operações Financeira). Em um cenário ainda mais extremo, ele cita restrições à conversão de reais em dólares, algo conhecido no mercado como risco de convertibilidade.
A avaliação do gestor da Verde é que essas medidas não estão no horizonte hoje, mas são riscos que valem ter um seguro.
“Se tiver uma crise em que o governo diminua o juro na marra, fique desesperado e te impeça de comprar dólar, jogue o IOF em 10%. São situações em que vale ter um seguro”, disse.
A preocupação faz parte de uma visão mais ampla sobre o Brasil.
Stuhlberger é cético em relação à capacidade do país de resolver problemas fiscais de forma estrutural e afirmou que prefere estar preparado para cenários adversos em vez de reagir a eles quando já estiverem em curso.
Por que Stuhlberger recomenda investir no patrimônio no exterior
Para o gestor da Verde Asset, a exposição internacional não deve ser encarada apenas como uma estratégia para buscar retornos maiores, mas principalmente como uma ferramenta de proteção patrimonial.
Questionado sobre qual parcela do patrimônio manter fora do Brasil, Stuhlberger respondeu que se sentiria confortável com algo entre 30% e 50%, embora reconheça que a proporção ideal depende da realidade de cada investidor.
Ele considera que o patrimônio dos brasileiros fica excessivamente concentrado no próprio país, seja em imóveis, empresas ou aplicações financeiras.
A exposição internacional vai além da diversificação geográfica, segundo o gestor. Ele vê valor nos ativos norte-americanos.
Em sua apresentação no evento em que o Seu Dinheiro esteve presente, Stuhlberger descreveu os EUA como uma economia ainda marcada pelo forte “excepcionalismo”.
Na sua visão, as empresas seguem entregando crescimento de receitas, expansão dos lucros e ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial. Tudo isso enquanto a atividade econômica e o mercado de trabalho continuam resilientes.
Por isso, Stuhlberger não vê uma bolha semelhante à observada na virada dos anos 2000, com a crise das pontocom.
Ele reconhece que as margens de lucro estão acima da média histórica, mas considera que os múltiplos de preço das ações estão razoáveis e afirmou que esse cenário lhe dá “uma certa tranquilidade em ficar investido”.
Essa visão aparece na carteira da própria Verde Asset. Segundo o gestor, o fundo mantém cerca de 9% dos recursos alocados em ações norte-americanas, posição que vem sendo carregada há bastante tempo.
Uma caixinha em dólar
A oportunidade que mais chama a atenção de Stuhlberger neste momento não é nem a bolsa, mas os títulos públicos norte-americanos.
O gestor destacou que os juros dos EUA subiram de forma significativa nos últimos anos e hoje oferecem uma remuneração que não era vista havia décadas.
Para o investidor comum, isso significa que voltou a ser possível ganhar dinheiro apenas emprestando recursos ao governo norte-americano, sem precisar correr riscos elevados em ações ou outros ativos mais voláteis.
Ele lembrou que, durante boa parte do período posterior à crise financeira de 2008, os investidores chegaram a conviver com retornos reais (acima da inflação) próximos de zero ou até negativos.
Agora, o cenário é outro. “É muito juro para você sentar e esperar”, afirmou ao comentar o patamar atual dos títulos do Tesouro norte-americano, que estão na faixa de 5% nos papéis de dez anos.
A aposta da Verde, entretanto, está concentrada nos TIPS, papéis do governo que corrigem a inflação, parecidos com o Tesouro IPCA+.
Esses títulos garantem uma remuneração além da correção pela inflação. Segundo Stuhlberger, o fundo mantém posição em TIPS de três anos que pagam cerca de 2,65% ao ano de retorno real. “Eu acho que isso é muito bem remunerado”, afirmou.
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Fonte: Seu Dinheiro