Xi e Trump abrem nova conjuntura histórica para China e EUA

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – A reunião entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 24 de setembro, na Casa Branca, abriu uma nova etapa nas relações entre os dois países. Para consolidar o entendimento político, Pequim e Washington terão de produzir resultados concretos em áreas como comércio, inteligência artificial e intercâmbio entre jovens. Essa é a avaliação do jornal Global Times em editorial.

Segundo o jornal chinês, o encontro em Washington deu sequência ao consenso alcançado pelos dois presidentes em Pequim, em maio, sobre a construção de uma relação bilateral construtiva e marcada pela estabilidade estratégica. O editorial sustenta que a expectativa agora é saber como os governos transformarão essa orientação em decisões capazes de resistir às divergências entre as duas potências.

Na Casa Branca, Xi defendeu uma relação com a cooperação como eixo principal, competição moderada, diferenças administráveis e compromisso com a paz. De acordo com o Global Times, o presidente chinês apresentou essa visão como um caminho para que os dois países convivam de forma estável e pediu sua aplicação prática em diferentes setores e níveis de governo.

O editorial destaca que a ênfase na execução já estava presente na reunião de maio. Na ocasião, Xi afirmou que o entendimento não deveria ficar restrito a uma formulação política. Em Washington, voltou a defender o envolvimento dos órgãos públicos e demais setores dos dois países na implementação gradual do consenso. Para o jornal, medidas específicas, mesmo de alcance limitado, podem ajudar a construir confiança ao longo do tempo.

Comércio é apontado como teste para o entendimento

As relações econômicas e comerciais aparecem no editorial como um dos principais testes da nova orientação. Embora tenham concentrado disputas nos últimos anos, elas também revelam a complementaridade das duas economias e os interesses compartilhados por empresas e consumidores.

O Global Times afirma que a China mantém sua abertura a investimentos e à atuação de companhias americanas. Em contrapartida, defende que os Estados Unidos ofereçam tratamento justo às empresas chinesas, com regras transparentes e previsíveis. Na avaliação do jornal, a ampliação dos interesses econômicos comuns tornaria a relação comercial menos vulnerável a novas tensões.

A inteligência artificial é apresentada como outra frente possível de aproximação. O editorial observa que China e Estados Unidos têm capacidades relevantes no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia, mas enfrentam riscos semelhantes, entre eles o uso indevido dos sistemas e a perda de controle sobre seus efeitos. O texto cita resoluções sobre o tema apoiadas pelos dois países na Assembleia Geral da ONU e a existência de canais de diálogo como sinais de que há espaço para cooperação.

Nesse campo, o jornal propõe intercâmbios contínuos sobre benefícios e riscos da IA, começando por assuntos de interesse mútuo. Uma comunicação mais frequente, argumenta o editorial, poderia reduzir erros de avaliação entre as potências e contribuir para a discussão de regras internacionais para a tecnologia.

Intercâmbio juvenil e Taiwan integram a agenda

O fortalecimento dos vínculos entre as sociedades também ocupa lugar central no texto. Xi anunciou um convite para que 100 mil jovens americanos visitem a China, ao longo dos próximos cinco anos, em programas de intercâmbio e estudo. O Global Times vê na iniciativa uma oportunidade de ampliar o conhecimento recíproco, ao lado de parcerias entre cidades e de outras formas de contato direto entre cidadãos.

O editorial ressalta, por outro lado, que a cooperação dependerá da administração das diferenças políticas. Nesse ponto, identifica Taiwan como a questão mais sensível da relação bilateral. O jornal defende que Washington respeite as preocupações de Pequim sobre soberania e integridade territorial e mantenha sua oposição à independência da ilha. Trata-se de uma posição expressa pelo editorial, que a apresenta como condição para uma base mais sólida de entendimento estratégico.

Ao chamar o momento de nova “conjuntura histórica”, o Global Times atribui peso à diplomacia conduzida diretamente por Xi e Trump, e afirma que a continuidade do processo dependerá do trabalho dos governos após a reunião. A avaliação do jornal é que acordos sucessivos, acompanhados da solução de problemas específicos, poderão dar conteúdo à visão anunciada pelos presidentes e produzir efeitos para os dois países e para o cenário internacional.

Fonte: Brasil 247

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