‘Mãe Loira do Funk’: Fuga de bolsonarista teve ao menos 4 trocas de carro para despistar a polícia até chegar em sítio

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – A ex-vereadora Veronica Costa (PL), conhecida como Mãe Loira do Funk, foi presa em um sítio em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, depois de trocar de carro pelo menos quatro vezes durante a fuga para tentar dificultar sua localização pela polícia. Ela havia sido considerada foragida após agentes não encontrá-la em casa na quarta-feira (23).

As informações foram divulgadas pelo g1 nesta sexta-feira (25). Veronica foi capturada na noite de quinta-feira (24), um dia depois da primeira tentativa de cumprimento do mandado de prisão. A ordem foi expedida após o trânsito em julgado da condenação da ex-parlamentar a 10 anos e 8 meses de prisão pelo crime de tortura contra o ex-marido Márcio Costa.

Segundo a reportagem, policiais civis estiveram inicialmente na residência de Veronica, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, mas não a localizaram. A partir daí, a ex-vereadora deixou a capital fluminense e seguiu em direção à Região Serrana.

Durante o percurso até Araras, Veronica teria utilizado pelo menos quatro veículos diferentes. A sequência de trocas, de acordo com a apuração, tinha como objetivo despistar os investigadores que cumpriam a ordem judicial.

Além dela, outras três pessoas foram presas na quinta-feira: Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica, também condenado a 10 anos e 8 meses de prisão; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da ex-vereadora; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane. Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Veronica, permanecia foragido.

A condenação tem origem em um episódio ocorrido em fevereiro de 2011. À época, Márcio Costa procurou a Polícia Civil e denunciou ter sido vítima de agressões e tortura.

Em depoimento, ele relatou que foi amordaçado e amarrado à cama do próprio quarto e afirmou ter permanecido sob violência durante cerca de 20 horas. Segundo seu relato, parentes de Veronica teriam lançado spray inseticida em seu rosto e derramado gasolina sobre seu corpo, acompanhada de ameaças de que ele seria queimado vivo.

A primeira sentença contra Veronica foi proferida em 2019, quando a Justiça estabeleceu pena de 5 anos e 10 meses de prisão.

Em 2023, após recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça ampliou a condenação para 10 anos e 8 meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Os desembargadores também mantiveram a perda do mandato de vereadora, determinada anteriormente pela 16ª Vara Criminal.

Com o esgotamento das possibilidades de recurso, a juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, expediu o mandado de prisão.

Veronica sempre negou ter agredido o ex-marido. Em 2011, afirmou que Márcio usava drogas e a ameaçava havia anos, além de declarar que desconhecia a origem dos ferimentos apresentados por ele na noite de 21 de fevereiro daquele ano.

Quando a pena foi ampliada, em 2023, a defesa da ex-vereadora também contestou a decisão. Os advogados sustentaram que a condenação teria sido baseada no relato de Márcio, que, na avaliação da defesa, não encontraria respaldo no conjunto de provas do processo.

Já a defesa de Márcio Costa afirmou que a prisão representava a execução da decisão judicial. O advogado Leandro Bessa classificou os fatos atribuídos aos réus como graves.

“Na realidade, o crime cometido contra o meu cliente foi bárbaro. Ele sofreu tortura, não só pela Verônica”, afirmou o advogado.

Após a prisão em Petrópolis, Veronica deverá cumprir a pena estabelecida definitivamente pela Justiça, enquanto as autoridades continuam as buscas pelo outro condenado que permanece foragido.

Fonte: Brasil 247

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