Após mediação frustrada, Caixa aciona o TST para solucionar impasse com os trabalhadores

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Por Mirielle Carvalho — JOTA

Diante da ausência de avanço na mediação com os trabalhadores, a Caixa Econômica Federal (CEF) ajuizou nesta quinta-feira (24/9) um dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os trabalhadores estão paralisados desde o dia 10 de setembro. O movimento grevista dos funcionários do banco entrou em seu 15° dia nesta quinta-feira.

O ajuizamento formal do dissídio ocorreu horas após o banco e as entidades sindicais da categoria não avançarem nas negociações em uma mediação realizada no TST nesta quarta-feira (23/9) a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT). Apesar das mais de sete horas de tratativas, não houve avanço entre as partes.

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Participaram da audiência pré-processual no TST a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec), representantes da categoria dos bancários.

Por meio de nota, a Caixa disse que estaria buscando o dissídio coletivo para chegar a uma solução institucional que “assegure segurança jurídica e previsibilidade para todas as partes envolvidas”.

Ainda no comunicado, a instituição financeira afirmou que “manterá sua postura de respeito às entidades representativas e compromisso com os empregados durante todo o processo e cumprirá integralmente as determinações que vierem a ser estabelecidas pela Justiça do Trabalho”.

Por fim, informou que o banco permanece comprometido com a busca de soluções que preservem os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira.

Na manhã desta quinta-feira (24/9), a Caixa enviou um comunicado aos trabalhadores do banco público informando sobre o ajuizamento do dissídio. O Comando Nacional dos Bancários deve se reunir em breve para discutir as próximas providências. A paralisação, apesar do dissídio, continua por tempo indeterminado. O dissídio tramita sob o número DCG-1000975-72.2026.5.00.0000.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo convocou os empregados da Caixa Econômica Federal para um ato a partir das 12h desta quinta-feira (24/9), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Já o Comando de Greve deve se reunir às 17h30.

O MPT decidiu recorrer ao TST após os empregados do banco rejeitarem a terceira proposta feita pela patronal. O principal impasse entre a categoria e a Caixa Econômica Federal está no plano de saúde dos bancários. Na proposta rejeitada, apresentada quinta-feira (17/9), a instituição financeira propôs ampliar de 6,5% para 9% o limite de participação no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027.

De acordo com a estimativa apresentada na negociação entre as partes, a mudança representaria o adicreito tional de cerca de R$ 1 bilhão, de modo recorrente, na capacidade de participação do banco no custeio do plano de saúde.

Os funcionários da Caixa Econômica Federal, porém, rejeitaram a última proposta feita pela instituição financeira para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028 na segunda-feira (21/9). A assembleia virtual foi realizada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, em que 59,3% dos votos decidiram pela recusa. Com a rejeição à proposta patronal, os trabalhadores então deliberaram pela continuação da greve.

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O que a Caixa propôs

Além da sugestão de ampliar de 6,5% para 9% o limite de participação no custeio do plano de saúde, a Caixa Econômica Federal retirou da proposta a criação de contribuições diferenciadas conforme a idade dos beneficiários, mantendo o pacto intergeracional e o caráter solidário do Saúde Caixa.

Nesse modelo, jovens, pessoas de meia-idade e idosos permanecem dentro de uma mesma lógica coletiva de financiamento.

De acordo com o que propôs o banco, não haveria reajuste das mensalidades do plano de saúde ainda neste ano. Desse modo, o déficit projetado para 2026 não seria repassado aos beneficiários. Nesse cenário, a Caixa assumiria a cobertura do resultado, por meio do uso da antecipação da parcela de responsabilidade da empresa relativa a futuras 13ª mensalidades.

A partir de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração base dos trabalhadores e a de dependente direto, de R$ 560. Para dependente indireto que for filho e estiver na faixa-etária entre 21 a 24 anos, a mensalidade do plano será de R$ 660. Já para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes, a mensalidade será de R$ 900. O limite do grupo familiar (titulares e dependentes diretos), segundo a proposta, será de 9%.

Em relação à proposta anterior sugerida pelo banco, essa última reduz de R$ 150 para R$ 120 a cobrança de consulta em pronto-atendimento, além de manter a isenção de coparticipação na telemedicina.

Fonte: JOTA

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