Banco Central eleva para 90% a chance de inflação estourar o teto da meta em 2026
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Banco Central (BC) elevou para 90% a probabilidade de a inflação encerrar o ano de 2026 acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O dado evidencia uma deterioração no cenário inflacionário do país, mesmo diante de um ambiente de política monetária fortemente restritiva, informa o Relatório de Política Monetária, divulgado pelo órgão nesta quinta-feira (24).
A meta central de inflação para 2026 é de 3%, contando com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o teto permitido para o índice é de 4,5%. No levantamento referente ao trimestre anterior, a autoridade monetária estimava a chance de descumprimento do teto em 79%.
De acordo com o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, a revisão para cima ocorre a despeito das surpresas positivas registradas no trimestre encerrado em agosto — período em que a inflação veio abaixo do previsto. No entanto, as projeções mensais de curto prazo sinalizam uma aceleração no acúmulo de 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), devendo ultrapassar novamente o limite de 4,5%.
No acumulado de 12 meses encerrado em agosto, o IPCA registrou taxa de 4,22%, após uma variação de -0,32% no mês. Paralelamente, o Ministério da Fazenda também reajustou suas estimativas para a inflação do fim de 2026, projetando o indicador em 4,9%, patamar que igualmente supera o teto estipulado pelo CMN.
Diante do quadro de incertezas, o Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou a adoção de uma postura cautelosa na condução da política monetária. Embora a taxa básica de juros (Selic) tenha passado por cortes nas últimas reuniões, o indicador permanece em nível restritivo, fixado em 13,75% ao ano, com o objetivo de desacelerar a demanda agregada e forçar a convergência dos preços rumo à meta.
Na ata mais recente de seus encontros, divulgada na terça-feira (22), o BC enfatizou que o cenário econômico global e doméstico continua cercado de dúvidas. Entre os principais fatores de risco apontados pelo comitê para a trajetória dos preços estão os rumos fiscal das contas públicas brasileiras, o ritmo de evolução da atividade econômica interna e as turbulências no ambiente internacional, sob impacto de tensões geopolíticas e oscilações nas cotações das commodities.
Fonte: Brasil 247