Durigan diz que sistema financeiro vem sendo capturado pelo crime organizado

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Por Leonardo SobreiraBrasil 247

247 – As apurações da Operação Crédito Oculto trouxeram um diagnóstico severo do Ministério da Fazenda e da Receita Federal sobre o grau de infiltração do crime organizado em instituições do mercado financeiro brasileiro. Segundo as autoridades, bancos, fintechs e gestoras de investimento deixaram de cumprir o papel de alertar os órgãos de controle para passarem a atuar diretamente como “braços financeiros” de facções criminosas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou nesta quinta-feira (24) que a gigantesca liquidez observada em operações sob investigação no país tem origem direta no mercado informal de combustíveis e em ações de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC):

“Nós estamos falando claramente de fundos de investimento, administradoras de recursos, bancos, gestoras de investimento que estão atuando em prol do crime organizado, são braços financeiros do crime organizado, ajudam a lavar dinheiro de maneira circular. Então o dinheiro que vem dessas usinas, é o dinheiro que vem do crime organizado, de organizações criminosas, é o dinheiro que vem da distribuição de combustível, que de alguma maneira passa por essa lavanderia do sistema financeiro e volta para os mesmos interessados, para essas mesmas figuras, muitas delas já com delação premiada e já sob investigação da Justiça.”

Ele enfatizou a responsabilidade de agentes que deram fachada legal a operações sem substância econômica real:

“Há uma usina de etanol, uma usina sucroalcooleira, que toma operações, manda dinheiro para fundo de investimento, esses fundos cascateiam títulos e recursos para outros fundos, usam o sistema financeiro, que é quem de fato deveria nos informar desse tipo de operação. O sistema financeiro, em grande medida aqui é responsável, agentes do sistema financeiro são responsáveis por dar essa racionalidade para esses instrumentos, mas acabam ocultando a real propriedade.”

A mecânica envolvida utiliza engenharia financeira em cascata para dificultar o rastreamento do dinheiro e garantir blindagem patrimonial:

“São fundos de investimento que são usados dentro de outros fundos de investimento, que são propriedade de uma administradora de recurso ou um só banco, que fazem o papel de ocultação de patrimônio.”

Essa imensa massa de capital alimentou esquemas que extrapolam a lavagem de dinheiro, alcançando instâncias de poder:

“Quando a gente vê os casos que estão em discussão no país, de onde vinha tanto dinheiro? De onde vinha tanta liquidez? O dinheiro, ele vem do crime organizado, ele vem do setor de combustível que estava na clandestinidade, o que permite que a gente tenha essa liquidez, essa quantidade de liquidez que é usada para corrupção, para corromper autoridade, que é usada para uma série de finalidades bastante obtusas.”

A omissão deliberada de comunicações obrigatórias às autoridades fiscalizadoras — como o Coaf, o Banco Central e a Receita Federal — evidencia a situação de captura do setor:

“A gente não tem deixado de atuar com relação a isso. Vocês vão lembrar que a gente pediu para que essas fintechs, exigiu que essas fintechs passassem informações mínimas sobre movimentações financeiras, e teve deputado influencer que disse que aquilo era para prejudicar a população, quando na verdade nós estamos querendo proteger a população desse tipo de prática criminosa. E qual é a dificuldade aqui? As entidades do sistema financeiro, os bancos, os fundos, as administradoras de recursos, eles próprios têm a obrigação de informar para as autoridades, seja para o Banco Central, seja para a Receita, movimentações estranhas. Se o próprio sistema financeiro está capturado e, em vez de ajudar, de contribuir com as autoridades mostrando que tipo de operação gera alerta, que tipo de obrigação, que tipo de operação é feita em desconformidade com o padrão que se observa, se essa informação não chega, você dificulta a autoridade.”

“O que nós estamos vendo é que muitas fintechs, muitos bancos, muitas administradoras não só deixam de fazer a comunicação devida para as autoridades, como foram capturadas, estão a serviço do crime organizado.”

“O sistema financeiro que está capturado, ele não informa para as autoridades, ao contrário, ele vai criando personalidade jurídica, fundos próprios para esconder das autoridades a real informação.”

Diante do cenário, o Ministério da Fazenda reafirma que a resposta estatal passa pelo uso de inteligência artificial e cruzamento automatizado de dados para atingir os articuladores no topo da pirâmide financeira:

“Reforçar esse trabalho da Receita Federal contra uma lavanderia de recursos que existia com participação de instrumentos do sistema financeiro legal, que passa também cada vez mais para a ilegalidade com a nossa identificação, e com isso a gente pode avançar para os próximos passos.”

“Essa lavanderia no Brasil, daqui por diante com os sistemas automatizados usando inteligência artificial da Receita, vão ser mais prontamente identificados porque são metástases no nosso desenho brasileiro de fundos de investimento, conforme a gente tem identificado.”

“Então, de novo, a gente tem feito um trabalho de interlocução por parte da Receita Federal e toda a inteligência por trás disso depende fundamentalmente de um trabalho de inteligência que vem sendo acumulado há um tempo e agora tá sendo automatizado da Receita Federal… Para que a gente siga no encalço do andar de cima do sistema financeiro, para que a gente identifique o que que tá acontecendo com essa lavanderia que permite corrupção de autoridade, que permite mandar dinheir

Fonte: Brasil 247

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