Durigan: Entre Investimentos, ligada ao “Dark Horse”, integrou lavanderia do crime organizado
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – A Entre Investimentos, empresa que aparece nas investigações sobre transferências de recursos do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro para o fundo norte-americano que financiou a produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), tornou-se um dos principais focos da nova etapa da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira que a companhia aparece como uma entidade central na estrutura financeira investigada por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao setor de combustíveis. A terceira fase da Carbono Oculto foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal.
“A Entre, que é essa entidade que tem gerado muita repercussão, inclusive em relação ao Banco Master e à apuração que tem sido feita no Supremo Tribunal Federal, aparece agora também como uma figura, como uma entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional para as distribuidoras”, afirmou Durigan em coletiva de imprensa.
Antonio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, está entre os alvos da operação. Freixo também aparece nas investigações sobre o Banco Master e firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Entre foi utilizada no caminho de recursos enviados por Vorcaro ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e relacionado ao financiamento de “Dark Horse”. As investigações apontam transferências de pelo menos US$ 12,3 milhões para a estrutura ligada à produção do filme.
Durigan afirmou que as autoridades agora avançam sobre outras estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar a origem e a propriedade de recursos.
“Agora estamos olhando para a próxima etapa, que é, em especial, a Entre”, afirmou.
Segundo o ministro, o mecanismo investigado envolve empresas do setor de combustíveis, fundos de investimento e instituições financeiras.
“Há uma usina de etanol, uma usina sucroalcooleira, que toma operações, manda dinheiro para fundo de investimento. Esses fundos cascateiam títulos e recursos para outros fundos, usam o sistema financeiro, que é quem, de fato, deveria nos informar desse tipo de operação. O sistema financeiro, em grande medida, aqui é responsável. Agentes do sistema financeiro são responsáveis por dar essa racionalidade para esses instrumentos, mas acabam ocultando a real propriedade”, disse.
De acordo com Durigan, a Entre teria recebido recursos cuja origem está sob investigação e participado da estruturação financeira que permitiu a atuação de empresas no mercado de combustíveis.
“Essa empresa Entre, que claramente, pela documentação do Ministério Público de São Paulo e da Receita, recebe dinheiro do crime organizado, ajuda nessa estruturação, nessa ocultação de patrimônio, de forma que não só uma usina de etanol, mas também uma distribuidora de combustível passasse a atuar no mercado, numa concorrência bastante desleal com o setor legalizado, com o setor formal.”
O ministro comparou a atual etapa da investigação à fase anterior da Carbono Oculto, que alcançou estruturas financeiras relacionadas à Reag.
“Se, na primeira fase, a gente está falando de uma usina que usava a Reag para esconder os recursos dos verdadeiros e dos reais interessados, agora nós estamos indo para a próxima fase, que é olhar essas outras estruturas do sistema financeiro, a lavanderia do sistema financeiro, que foram utilizadas aqui por uma distribuidora.”
A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo investigam a utilização de uma sobreposição de estruturas financeiras para ocultar inicialmente o controle de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis. A operação alcançou 29 endereços relacionados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas em sete estados.
Também está entre os alvos Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial. Segundo o banco, Tupinambá deixou de integrar a diretoria e o quadro societário da instituição em maio de 2026. A instituição afirmou ainda que, após tomar conhecimento dos fatos investigados, afastou e posteriormente destituiu o executivo e passou a colaborar com as autoridades.
Para Durigan, a nova etapa amplia o alcance das investigações para estruturas financeiras que teriam permitido transformar recursos de origem criminosa em patrimônio aparentemente regular.
“Quando a gente vê os casos que estão em discussão no país, de onde vinha tanto dinheiro? De onde vinha tanta liquidez? O dinheiro vem do crime organizado, vem do setor de combustível que estava na clandestinidade, o que permite que a gente tenha essa liquidez, essa quantidade de liquidez que é usada para corrupção, para corromper autoridade, que é usada para uma série de finalidades bastante obtusas.”
O ministro afirmou que a Receita Federal pretende ampliar o emprego de sistemas automatizados e inteligência artificial na identificação dessas operações.
“Essa lavanderia no Brasil, daqui por diante, com os sistemas automatizados usando inteligência artificial da Receita, vai ser mais prontamente identificada, porque são metástases no nosso desenho brasileiro de fundos de investimento, conforme a gente tem identificado.”
Fonte: Brasil 247