Nova fase da Operação Carbono Oculto mira bancos Genial e Master e esbarra em ‘Dark Horse’

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Por Vinícius NunesCarta Capital

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Ação apura suspeita de lavagem de dinheiro na compra da distribuidora de combustíveis Terrana; entre os alvos estão ex-executivo do Banco Genial e empresário ligado ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo realizam nesta quinta-feira 24 a Operação Crédito Oculto , terceira fase da Operação Carbono Oculto . A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do País e tem entre os alvos um ex-executivo do Banco Genial e um empresário ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro , dono do antigo Banco Master .

Entre os investigados está Humberto Arthur Tupinambá Neto , ex-executivo do Banco Genial, além de seus irmãos, André e Bruno Tupinambá . Também é alvo Antonio Carlos Freixo Junior , conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e delator nas investigações sobre o Banco Master .

A empresa de Freixo aparece em apurações da Polícia Federal sobre os repasses de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse , cinebiografia-propaganda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações sobre o banco.

A operação desta quinta-feira busca esclarecer a estrutura financeira usada para a aquisição da Tobrás Distribuidora de Combustíveis , conhecida como Terrana , e a ocultação dos verdadeiros beneficiários do negócio. A investigação aponta que fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras teriam sido utilizados para dissimular a origem dos recursos e o controle dos ativos.

Segundo a Receita Federal, a ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados. A operação conta com a participação da Secretaria da Fazenda de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado e das polícias Civil e Militar, além do apoio de unidades do Gaeco de outros estados.

De acordo com as apurações, o esquema teria sido estruturado em duas etapas. Primeiro, os investigados teriam ocultado os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Depois, a estrutura teria sido utilizada para viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis.

Um dos principais pontos identificados pelos investigadores envolve uma operação de aproximadamente 370 milhões de reais em direitos creditórios da usina. Segundo a Receita Federal, uma empresa ligada ao grupo de investimentos adquiriu os créditos por meio de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios. Parte relevante dos recursos utilizados teria origem em fundos controlados pelo próprio grupo investigado, criando um fluxo financeiro circular que dificultaria a identificação dos beneficiários finais.

A usina também teria recebido 100 milhões de reais transferidos por empresas ligadas à organização criminosa. O dinheiro passou por diferentes contas e estruturas financeiras antes de ser direcionado a um fundo de investimento criado para viabilizar a aquisição da distribuidora.

A investigação aponta ainda o uso de um certificado de depósito bancário vinculado e de cédulas de crédito bancário emitidas para empresas de fachada. A estrutura teria permitido que os recursos chegassem às empresas responsáveis pela compra da Terrana sem que os verdadeiros financiadores fossem identificados.

Esquema que a Receita Federal e o Gaeco investigam na Operação Crédito Oculto. Divulgação/Receita Federal

Os investigadores também apuram a utilização de fundos imobiliários para concentrar imóveis vinculados aos suspeitos. Os bens teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos, mantendo o controle econômico com o grupo, mas afastando os ativos de seus patrimônios pessoais.

A empresa financeira utilizada na aquisição simulada da usina movimentou cerca de 11,6 bilhões de reais entre 2021 e 2025, segundo a Receita Federal. Para os investigadores, o volume de recursos, somado às demais evidências, reforça os indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem do dinheiro e lavagem de capitais.

Em nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído.

O banco declarou que forneceu ao Gaeco todas as informações que estavam em seu poder sobre as operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings. Também informou que fez as comunicações cabíveis ao Coaf.

A instituição afirmou que atuou dentro de suas atribuições, observando as normas aplicáveis e considerando as informações disponíveis à época. Disse ainda que, após tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas adicionais de governança e controle, instaurou uma investigação interna, revisou os procedimentos de crédito e afastou o então diretor dos processos decisórios relacionados às operações.

O Genial acrescentou que, após a deflagração da primeira fase da Carbono Oculto , renunciou à administração do Fundo Radford e manteve a colaboração com as autoridades.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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