Confiança do consumidor cai em setembro e acumula 5ª queda consecutiva, aponta FGV
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,5 ponto em setembro de 2026, atingindo 84,2 pontos, o menor nível registrado desde novembro de 2022, quando estava em 83,5 pontos. Na média móvel trimestral, o indicador retrocedeu 1,5 ponto, alcançando 85,7 pontos, informa o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
Com o resultado de setembro, a confiança do consumidor encerra o terceiro trimestre em trajetória de baixa, acumulando uma perda de 4,9 pontos ao longo das últimas cinco medições consecutivas.
A deterioração do índice no mês foi impulsionada exclusivamente pelo aumento do pessimismo em relação ao futuro, enquanto a percepção sobre o momento atual apresentou uma ligeira recuperação. “Nesse mês, a piora foi totalmente influenciada pela queda nas expectativas, enquanto os indicadores sobre o presente indicam uma ligeira melhora”, analisa Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.
De acordo com Tobler, o impacto negativo da pesquisa foi parcialmente abrandado pela melhora na percepção da população de menor renda. “O resultado foi atenuado por uma recuperação da confiança dos consumidores de renda mais baixa, especialmente no quesito sobre situação financeira futura, que pode estar relacionado ao reajuste de valores de benefícios sociais”, explica o economista.
Apesar da reação no segmento de menor renda, o cenário econômico adiante permanece desafiador. “Olhando para os próximos meses, ainda é difícil imaginar uma retomada da confiança dos consumidores, considerando que as condições financeiras continuam apertadas, com alto endividamento e inadimplência”, adverte Tobler.
Desempenho dos indicadores e componentes
A trajetória do ICC em setembro refletiu movimentos opostos entre os seus dois grandes componentes:
- Índice de Expectativas (IE): Recuou 0,9 ponto, caindo para 85,2 pontos, o menor patamar verificado desde maio de 2022, quando marcou 84,0 pontos.
- Índice de Situação Atual (ISA): Apresentou alta de 0,2 ponto, subindo para 84,0 pontos.
Entre os itens que integram o Índice de Expectativas, o indicador que mede a intenção de compras previstas de bens duráveis teve uma expressiva queda de 2,4 pontos, descendo para 72,3 pontos. No mesmo caminho, o indicador da situação econômica local futura baixou 1,3 ponto, para 102,0 pontos, registrando o menor nível desde agosto de 2025 (97,3 pontos). Na contramão dessas retrações, o indicador de situação financeira futura da família registrou um avanço de 1,0 ponto, alcançando 83,9 pontos, interrompendo uma sequência de quatro meses seguidos de queda.
Por sua vez, os componentes da Situação Atual mostraram sinais discretos de melhora. O indicador da situação econômica local atual subiu 0,4 ponto, atingindo 94,0 pontos e interrompendo três meses consecutivos de perdas. Da mesma forma, o indicador da situação financeira atual da família teve um ligeiro incremento de 0,1 ponto, fechando em 74,4 pontos.
Fonte: Brasil 247