Startup brasileira usa IA para aproximar pequenas empresas que querem fazer M&A
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Startup fundada por ex-executiva de bancos usa IA para aproximar compradores e vendedores de pequenas e médias empresas em operações de fusão
A IA passa a operar em um mercado ainda pouco digitalizado no Brasil: a compra, venda e expansão de pequenas e médias empresas. Startup usa a tecnologia para cruzar dados de compradores e vendedores, medir risco e organizar etapas que, no segmento, dependem sobretudo de indicações e relações pessoais.
Ferramentas de valuation, análise de risco e due diligence, antes restritas a operações de fusões e aquisições de grande porte, chegam a negócios menores. A promessa é reduzir a dependência de contatos informais e dar mais estrutura a processos de venda, sucessão ou expansão.
Fundadores apontam que PMEs enfrentam as mesmas decisões de sucessão, venda e entrada de sócios que companhias maiores, mas sem o mesmo acesso a assessoria especializada. A aposta é usar dados para aproximar as partes e antecipar riscos antes do fechamento de um negócio.
A SoM&A, startup fundada pela ex-executiva de Mastercard, Citi e Santander Mary Mizuno, reúne essas funções em uma plataforma: identificação de compradores e investidores, valuation, análise de risco e due diligence.
“O M&A sempre foi tratado como uma oportunidade reservada às grandes empresas, mas as PMEs são o motor econômico do Brasil e os pequenos e médios negócios também precisam vender, comprar unidades, reorganizar sociedade, buscar sucessão ou crescer com segurança. A SOMA nasce para tornar esse processo mais acessível, estruturado e orientado por dados”, afirma Mary Mizuno.
Um dos primeiros casos de uso está no franchising. A rede de estética Botocenter contratou a SoM&A para apoiar o plano de chegar a 300 unidades até 2030. Hoje são 92 operações em funcionamento e outras 11 em implantação.
Na prática, o sistema busca investidores nas regiões em que a marca pretende crescer, cruzando dados como capacidade financeira, localização e perfil empresarial, em vez de depender apenas da chegada espontânea de interessados na franquia.
“Temos cidades estratégicas dentro do nosso planejamento e percebemos que, com a tecnologia da SoM&A, poderíamos chegar a candidatos qualificados de maneira muito mais rápida e eficiente. E não buscamos qualquer candidato. O perfil do franqueado tem impacto direto no faturamento, na qualidade da operação e na experiência do cliente”, afirma Ricardo Matiusso, executivo da Botocenter.
A rede está presente na maior parte das capitais brasileiras e planeja chegar a Campo Grande, Palmas, Boa Vista, Rio Branco e Macapá, além de cidades como Jundiaí, Guarulhos, Uberlândia, Uberaba, Joinville e Blumenau. Fundada em 2019, a Botocenter tinha nove unidades em 2021 e acelerou a expansão nos anos seguintes. No ano anterior, incorporou a Academia da Face e iniciou a conversão das unidades para a marca própria.
Depois da seleção de candidatos, entra a due diligence, com checagem de dados financeiros, cadastrais, jurídicos e de risco, para reduzir a chance de a velocidade da expansão resultar na escolha de investidores sem capacidade financeira ou perfil de gestão compatível com o negócio.
Para Mary Mizuno, o uso de dados vai além do franchising e pode se aplicar a qualquer negociação entre empresas de menor porte.
“A inteligência artificial possibilita transformar dados dispersos em inteligência acionável. Em uma negociação de compra e venda de empresas, isso significa encontrar parceiros mais compatíveis, reduzir ruídos, acelerar etapas e diminuir riscos. A tecnologia não substitui a experiência humana, mas torna o processo mais assertivo, comparável e auditável”, diz a fundadora da SoM&A.
Outro mercado em que a startup pretende atuar é o de repasses de franquias, operação em que um franqueado transfere o negócio a um novo dono. Nesses casos, o sistema busca compradores com perfil compatível, enquanto a due diligence avalia dados financeiros, jurídicos e operacionais antes da transferência.
“Um repasse é, na prática, uma pequena operação de M&A. Existe uma empresa sendo comprada e um novo empresário assumindo aquele negócio. A tecnologia pode aproximar as partes, mas a due diligence é fundamental para que a decisão não seja tomada apenas com base no faturamento anunciado ou na percepção sobre a marca”, afirma Mary Mizuno.
A aposta da SoM&A é levar a IA além do franchising, alcançando PMEs em processos de sucessão, aquisição de outros negócios e entrada de novos sócios, com dados sobre capacidade financeira, setor, localização e perfil de investimento organizados antes do fechamento de cada operação.
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Fonte: Carta Capital