Cachorro e gato podem comer comida humana? Veterinário explica

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Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 15:12

Felipe Pinheiro

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Você está fazendo uma refeição e, de repente, seu pet para ao lado, fica te encarando e esperando por um pedacinho do que está no seu prato. Quem tem cachorro ou gato provavelmente já passou por essa situação e, talvez, até tenha cedido aos olhos pidões. Mas será que os alimentos que fazem parte da nossa rotina também são seguros para eles?

Compartilhar a comida com o bichinho pode parecer um gesto inofensivo, mas é preciso ter cuidado com o que é oferecido. Alguns alimentos podem fazer mal a cães e gatos e, em determinados casos, provocar problemas mesmo quando não há uma reação imediata. Além disso, a quantidade e a frequência com que determinados alimentos são oferecidos também podem interferir na saúde do animal.

Para ajudar a esclarecer essas dúvidas, conversamos com o veterinário Marcio Becacici e reunimos orientações gerais sobre alimentação de cães e gatos, incluindo quais alimentos podem fazer parte da rotina e quais devem ser evitados.

É importante ressaltar que as informações a seguir não substituem uma avaliação veterinária e não constituem recomendação, orientação ou prescrição médico-veterinária. Cada animal é único, e a alimentação adequada pode variar de acordo com a espécie, a condição clínica e as necessidades individuais do pet.

Antes de entrar nas recomendações, também é importante desconstruir o conceito de comida “humana”. O profissional defende que não é possível colocar determinados alimentos em uma categoria separada, já que essa classificação é, na verdade, uma construção humana.

Não existe alimento humano, existe alimento. Dentro desse conceito de alimento, existem os que de forma geral, por orientação, indicação, sugestão, necessidade de um médico veterinário, podem ser intercambiáveis para uma outra espécie

Marcio Becacici  Médico veterinário

Marcio propõe que, em vez de pensar em alimentos específicos para pessoas e animais, consideremos aqueles que são intercambiáveis, ou seja, que podem ser compartilhados entre diferentes espécies. Para ele, a principal distinção está na fisiologia de cada espécie, isto é, na forma como cada animal digere, absorve e aproveita os nutrientes daquele alimento.

Um pedaço de carne crua, por exemplo, pode ser alimento para um humano, um cão ou um gato, mas a forma como cada espécie processa e utiliza esses nutrientes é completamente diferente.

De forma geral, frutas, verduras e legumes estão entre os alimentos mais apropriados para serem compartilhados com os pets. É preciso, porém, considerar que nem todos os tipos são seguros para os animais e que o consumo deve ser moderado. Entre as frutas mais comuns, banana, maçã, melancia e manga são exemplos que podem ser oferecidos, desde que cascas e sementes sejam retiradas.

Já frutas como uva, cítricos, a exemplo de laranja e limão, abacate e carambola devem ser evitadas. Em relação aos componentes presentes nos alimentos, Marcio ressalta que diversas substâncias artificiais encontradas em comidas comuns na alimentação humana podem ser prejudiciais aos animais de estimação.

Nada que tenha conservante, trigo, processamento industrial, corante e outros recomendamos, e isso de forma geral. Embutidos e a maioria dos petiscos industrializados vendidos para os pets precisam ser evitados

Marcio Becacici Médico veterinário

Embora não seja impossível, a transição de alimentos ou a elaboração de uma dieta para gatos pode ser mais difícil em comparação aos cães, e os motivos vão além de questões de comodidade.

Para os cachorros, se você tem o hábito de compartilhar a comida do seu prato com o bichinho, isso também deve ser evitado. Segundo Marcio, como as necessidades metabólicas dos cães funcionam de forma diferente das dos humanos, não é ideal que o animal receba “petiscos” de hora em hora ou siga um sistema de refeições semelhante ao do tutor, com café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.

“Esses ‘picos’, com pequenas refeições ao longo do dia, não são benéficos para o metabolismo e para a fisiologia do cachorro. Há cães que conseguem precisam de uma refeição por dia, outros com duas. Por isso, precisamos evitar, inclusive, a orientação de que o animal participe das refeições do tutor. A refeição do tutor é a refeição do tutor.”

Marcio Becacici Médico veterinário

No fim das contas, oferecer um pedaço do que está no prato pode parecer um gesto de carinho, mas a alimentação dos pets precisa levar em conta as necessidades de cada espécie e de cada animal. 

Mais do que separar os alimentos entre “comida de humano” e “comida de pet”, a orientação é entender como cães e gatos processam os nutrientes e quais alimentos são adequados para eles. Na dúvida, o acompanhamento de um médico-veterinário é a melhor forma de definir uma rotina alimentar segura e equilibrada.

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