Grupos de WhatsApp pagam Pix por comentários contra João Campos e a favor de Raquel Lyra

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – Grupos de WhatsApp utilizados para coordenar comentários favoráveis à governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e críticos ao candidato João Campos (PSB) mantêm ações remuneradas durante a campanha eleitoral de 2026. Um integrante de um desses grupos afirma que os participantes recebem R$ 20 por postagem e que os pagamentos são realizados via Pix.

Registros obtidos pela reportagem mostram a atuação de pelo menos dois grupos, “RL55” e “Raquel 2026”. Renato Neto, influenciador de Santa Cruz do Capibaribe e integrante do RL55, confirmou por telefone a existência das chamadas “missões”, que consistem em comentar, curtir e compartilhar conteúdos indicados aos participantes mediante pagamento.

Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, aparece ligada à administração dessas atividades. Advogada da casa de apostas Aposta Ganha, ela já havia sido citada em reportagem publicada pelo Metrópoles em 9 de setembro sobre grupos que atuaram durante a campanha eleitoral de 2024.

Na ocasião, o portal apresentou mensagens e comprovantes de pagamentos via Pix relacionados a ações nas redes sociais. Duda negou ao Metrópoles ter orientado ataques contra João Campos.

Assista ao depoimento de Renato Neto:

Integrante explica como funcionam as “missões”

O nome RL55 combina as iniciais de Raquel Lyra com o número eleitoral do PSD. Segundo Renato Neto, os participantes recebem links e instruções sobre as interações que devem realizar nas publicações.

“A gente recebe o link e tem a parte interna nossa de prestação de contas. Precisa comentar, curtir, repostar, vai muito do que a pessoa vai querer no engajamento”, afirmou.

Renato também confirmou atuar na formação de grupos de WhatsApp voltados para esse tipo de mobilização digital.

Segundo ele, atualmente o pagamento é de R$ 20 por postagem e os valores são repassados antecipadamente para posterior distribuição entre os participantes.

“A gente recebe os posts, um por dia, e eles pagam o cachê antecipado por cada pessoa. É um pagamento só, e a gente aqui é que faz a distribuição”, disse.

Perguntado se Duda Lucena seria responsável pelos pagamentos e de que maneira as transferências eram realizadas, Renato respondeu: “Isso, é ela quem faz. Via pix”.

Duda aparece como única administradora

Outro grupo, denominado “Raquel 2026”, tem como única administradora um contato identificado como “Duda Lucena Prospect”.

A identificação faz referência à Prospect Eventos e Consultoria. Segundo informações publicadas anteriormente pelo Metrópoles, dados da Receita Federal apontam Álex Galindo como responsável pela empresa. Ele também ocupa cargo de direção na casa de apostas Aposta Ganha e integrou um dos grupos analisados na apuração referente às ações realizadas em 2024.

Em uma mensagem publicada em 8 de setembro no grupo “Raquel 2026”, Duda compartilha um link e orienta os participantes sobre os comentários que deveriam fazer. “Pessoal, esse é extremamente importante. Cuidado com o que vão comentar. Sem xingamentos”, escreveu.

A mensagem mostra que, além da distribuição de links, havia orientações aos integrantes sobre a forma de interação nas publicações.

Links chegam após publicações de Raquel

Ao explicar a dinâmica das ações, Renato afirmou que os links são recebidos depois que conteúdos aparecem no perfil de Raquel Lyra no Instagram.

“O instagram de RL faz a postagem, a gente recebe o link e faz o engajamento nesse link que a gente recebe”, afirmou.

A declaração não demonstra, isoladamente, que a campanha de Raquel Lyra determine ou financie os pagamentos. Renato afirmou manter apenas “contato profissional” com Duda Lucena.

O influenciador também prevê que a quantidade de ações aumentará com a aproximação da votação.

“Como tá se aproximando (a eleição), deve aumentar a quantidade (de posts)”, disse.

Atuação semelhante foi revelada em 2024

O funcionamento de grupos coordenados por Duda Lucena já havia sido revelado pelo Metrópoles. A reportagem publicada em 9 de setembro apresentou mensagens e comprovantes de Pix relacionados à campanha municipal de 2024.

Segundo o portal, os registros indicavam pagamentos semanais de R$ 75 para participantes responsáveis por publicar conteúdos favoráveis a Raquel Lyra e críticos a João Campos.

Duda afirmou ao Metrópoles que havia sido procurada naquele ano por uma pessoa ligada ao prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), aliado político de Raquel.

Sobre a disputa estadual de 2026, ela disse ao portal que a equipe da governadora havia procurado seu grupo para uma nova mobilização no WhatsApp, mas sustentou que a participação neste ano seria voluntária.

“Eu nunca pedi para ninguém falar nada contra ninguém”, declarou Duda ao Metrópoles ao negar ter orientado ataques contra João Campos.

O relato de Renato Neto apresenta, porém, um elemento adicional sobre as atividades atuais: ele afirma que os participantes recebem R$ 20 por postagem e atribui diretamente a Duda a realização das transferências via Pix.

Campanha de Raquel nega financiamento

Após a divulgação das informações sobre as ações realizadas em 2024, a campanha de Raquel Lyra afirmou ao Metrópoles que atua “dentro da lei e das regras eleitorais” e classificou como espontâneas as manifestações favoráveis à governadora nas redes sociais.

“O apoio que ela recebe nas redes é espontâneo e nasce do trabalho entregue em Pernambuco, como qualquer pernambucano pode constatar”, afirmou a assessoria.

A equipe da candidata também alegou existir uma “estrutura organizada de ataques que opera contra a governadora” e informou que o caso estaria sendo tratado judicialmente.

A Aposta Ganha igualmente negou participação no financiamento de ações eleitorais.

“A companhia esclarece que não apoia nem financia campanhas políticas, partidos ou candidatos”, afirmou a empresa ao Metrópoles.

A casa de apostas acrescentou que “jamais financiou ou contratou pessoas para realizar comentários, publicações ou manifestações de natureza político-eleitoral em favor ou contra qualquer candidato ou partido”.

João Campos cobrou investigação após a divulgação das primeiras informações sobre os pagamentos. Agora, os registros dos grupos ativos em 2026 e o relato de um de seus integrantes acrescentam novos elementos à controvérsia sobre a organização e o financiamento de ações de engajamento político nas redes sociais durante a campanha pernambucana.

Fonte: Brasil 247

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