Sindicatos estabilizam base, mas perdem força na indústria e no transporte após uma década de perdas
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A taxa de sindicalização da população ocupada no Brasil manteve-se estável em 8,8% no ano de 2025, somando 9,1 milhões de trabalhadores associados. O resultado segue a marca de 8,9% registrada em 2024 (também 9,1 milhões de pessoas), consolidando a interrupção de uma trajetória contínua de quedas iniciada em 2014, após o acréscimo de 812 mil novos associados ocorrido no ano anterior, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
De 2024 para 2025, não foi observada variação estatisticamente significativa na taxa de associação sindical em nenhuma das categorias de emprego ou grupamentos de atividade. O quadro aponta que a retração e posterior estabilização do movimento sindical atingem de forma uniforme tanto o setor público quanto o privado.
Apesar da estabilidade recente, a comparação com o ano de 2012 revela um encolhimento generalizado da cobertura sindical na maioria das atividades econômicas. As maiores quedas acumuladas na taxa de sindicalização ocorreram no setor de Transporte, armazenagem e correio, que sofreu uma redução de 12,4 pontos percentuais no período.
Também registraram retração expressiva os grupamentos de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (queda de 9,9 pontos percentuais); Indústria geral (redução de 9,9 pontos percentuais); e o grupo de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (diminuição de 9,6 pontos percentuais).
Em 2025, o grupamento de atividade econômica com a maior taxa de sindicalização no país foi a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,7% de seus trabalhadores associados. Em seguida posicionaram-se o setor de Administração pública, educação e saúde (14,6%) e a Indústria geral (11,4%). Na extremidade oposta, as menores coberturas sindicais foram registradas nos Serviços domésticos (2,5%), na Construção (3,6%) e no grupo de Outros serviços (3,6%).
A posição no emprego e o vínculo formal mostram-se determinantes para a adesão sindical. Os empregados do setor público (incluindo servidores estatutários e militares) registraram a maior taxa de sindicalização em 2025, com 18,4%. Entre os empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada, o índice ficou em 11,3%, enquanto os trabalhadores familiares auxiliares registraram 10,2%.
Por outro lado, as categorias marcadas pela informalidade apresentaram as menores taxas de cobertura sindical: apenas 3,3% dos empregados do setor privado sem carteira assinada e 2,8% dos trabalhadores domésticos eram associados a sindicatos em 2025.
A escolaridade do trabalhador também apresenta relação direta com a taxa de associação. Em 2025, a menor taxa de sindicalização ocorreu entre os ocupados com ensino fundamental completo e médio incompleto (5,6%). Já a maior taxa foi registrada entre os trabalhadores com ensino superior completo, alcançando 13,5%. Entre os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto, o índice foi de 7,5%, enquanto a faixa de ensino médio completo ou superior incompleto registrou 7,6%.
Em termos absolutos, dos 9,1 milhões de trabalhadores sindicalizados no Brasil em 2025, 38,2% possuíam ensino superior completo e 37,7% tinham ensino médio completo ou superior incompleto. Os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto representavam 15,7% do total de sindicalizados, enquanto a faixa de ensino fundamental completo ou médio incompleto somava 8,4%.
Regionalmente, a taxa de sindicalização registrou os seguintes percentuais em 2025: Sul com 9,7%, Nordeste com 9,2%, Sudeste com 8,8%, Centro-Oeste com 8,0% e Norte com 7,0%. Quanto ao sexo, a taxa nacional masculina ficou em 8,9% e a feminina em 8,7%, sendo o Nordeste a única região onde a proporção de mulheres sindicalizadas (9,6%) superou a de homens (8,9%).
Fonte: Brasil 247