Moraes arquiva apuração contra ex-diretores da PRF por blitzes de 2022

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes encerrou a investigação envolvendo três ex-integrantes da direção da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que participaram de blitz durante o segundo turno da eleição presidencial em 2022 principalmente no Nordeste, onde o presidente Lula (PT) tem maior índice de votação. 

A decisão desta terça-feira (22) beneficia Djairlon Henrique Moura, Luis Carlos Reischak Junior e Rodrigo Cardozo Hoppe e segue manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que afirmou não encontrar elementos suficientes contra os três. Uma publicação desta terça-feira também registrou o arquivamento e os mesmos beneficiários.

A Polícia Federal havia indiciado os ex-dirigentes em janeiro de 2025 durante a investigação sobre possíveis ações para dificultar o deslocamento de eleitores. 

Naquela etapa, a PF atribuiu aos investigados suspeitas relacionadas a desobediência, prevaricação, restrição ao exercício do direito de voto e participação por omissão em tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A investigação de 2025 incluiu outros integrantes da PRF e um ex-coordenador da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O ministro Alexandre de Moraes acolheu o entendimento da PGR em relação aos três ex-diretores. Com a decisão, o Supremo encerra essa frente da investigação em relação a Djairlon, Reischak Junior e Hoppe.

Djairlon Henrique Moura ocupou a Diretoria de Operações da PRF. Luis Carlos Reischak Júnior comandou a Diretoria de Inteligência e também exerceu a função de superintendente da corporação no Rio Grande do Sul. Rodrigo Cardozo Hoppe atuou na área de inteligência da PRF.

PF havia indiciado integrantes da cúpula da PRF

A Polícia Federal apresentou em janeiro de 2025 uma segunda leva de indiciamentos relacionada às ações da PRF durante a eleição de 2022. Além dos três nomes alcançados pela decisão de Moraes nesta terça-feira, a PF também indiciou Adiel Pereira Alcantara, então ligado à área de inteligência da corporação, e Bruno Nonato dos Santos Pereira, ex-coordenador-geral de Inteligência e Contrainteligência da ANTT.

Os investigadores analisaram o planejamento e a execução das operações realizadas durante o período eleitoral. Segundo a apuração da PF divulgada na época, integrantes da estrutura da PRF teriam direcionado parte das fiscalizações para regiões em que Lula, então candidato à Presidência e hoje presidente da República, concentrava maior apoio eleitoral.

Djairlon declarou em depoimento ao STF, em maio de 2025, que recebeu orientação do Ministério da Justiça para fiscalizar ônibus em deslocamento para o Nordeste. Ele afirmou que as ações buscavam verificar possíveis irregularidades relacionadas ao transporte de eleitores e de dinheiro e negou direcionamento político.

Operações se concentraram no Nordeste

As ações da PRF no dia 30 de outubro de 2022, quando Lula disputou o segundo turno contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL), provocaram questionamentos devido à distribuição regional das fiscalizações.

Dados do Ministério da Justiça apresentados posteriormente mostraram que a PRF fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste entre 28 e 30 de outubro. No Sudeste, os agentes abordaram 571 ônibus no mesmo intervalo. A corporação também registrou 893 abordagens no Centro-Oeste, 632 no Sul e 310 no Norte.

O Nordeste concentrou cerca de 47% das abordagens a ônibus registradas naquele período. A PRF também mobilizou 795 agentes na região, contra 528 no Sudeste, 418 no Sul, 381 no Centro-Oeste e 230 no Norte.

Os números alimentaram as investigações sobre eventual direcionamento das operações. Na CPMI dos atos de 8 de janeiro, parlamentares citaram os dados ao questionar integrantes da antiga direção da PRF.

Moraes mandou interromper operações no dia da votação

No segundo turno, denúncias apontaram que fiscalizações e bloqueios afetavam ônibus e outros veículos usados por eleitores para chegar aos locais de votação. Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) naquele momento, determinou que a PRF interrompesse operações capazes de comprometer o transporte de votantes.

Silvinei Vasques comandava a PRF na época. Na véspera da votação, ele havia manifestado apoio a Jair Bolsonaro nas redes sociais. Vasques afirmou posteriormente que a PRF pretendia combater crimes eleitorais e negou que a corporação tivesse direcionado as ações contra eleitores de Lula.

Relatórios produzidos posteriormente apontaram diferenças entre a intensidade das operações no Nordeste e nas demais regiões. O governo federal apresentou esses dados à Controladoria-Geral da União em 2023, e a Polícia Federal incorporou elementos relacionados às fiscalizações em suas investigações.

PGR concluiu que faltavam elementos contra os três

A etapa que chegou ao STF exigiu da Procuradoria-Geral da República uma avaliação sobre os elementos reunidos pela Polícia Federal e sobre a existência de base para avançar com uma acusação criminal.

No caso específico de Djairlon Henrique Moura, Luis Carlos Reischak Junior e Rodrigo Cardozo Hoppe, a PGR concluiu que as provas disponíveis não justificavam a continuidade da investigação. Moraes adotou esse entendimento e determinou o arquivamento em relação aos três nesta terça-feira.

O arquivamento encerra a apuração criminal contra esses três ex-integrantes da direção da PRF neste procedimento. A decisão não altera os dados documentados sobre as fiscalizações realizadas em outubro de 2022 nem as conclusões de outros processos e investigações relacionados à atuação de diferentes agentes públicos durante aquele período eleitoral.

Fonte: Brasil 247

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