O golpe falhou, mas resta saber o que os ministros vão dizer em casa
Por Denise Assis — Brasil 247
Não deu certo. Quer dizer, não na proporção do que eles devem ter planejado. No dia 4 de setembro (neste mês, deste ano), depois de arrebanhar dados compilados por agentes ou delegados da Polícia Federal, nos quais apareciam os nomes de colegas, o ministro André Mendonça veio a público com o compilado e, ainda que não tivesse as provas todas em mãos, resolveu colocar os nomes dos colegas de Corte a nu, para toda a sociedade e a mídia. Eram muitas as novidades e, ainda mais, novidades com potencial de implodir candidaturas e virar a pauta das eleições pelo avesso.
Investidos de uma dedicação quase religiosa, todos os meios repercutiram à exaustão o que foi exibido por André Mendonça. Pronto. Estava cumprida a missão do ministro “terrivelmente evangélico”, que nessa condição só teria mesmo que partir para ações que justificassem o seu epíteto. Nada de campanha, nada de propostas e plataformas de governo. A “tarefa” era desviar o foco eleitoral para atitudes reprováveis cometidas pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a casa onde ele também dá expediente, julgando processos importantes, à luz da Constituição.
Talvez esquecido do principal, o ministro André Mendonça partiu para os particulares. E os que lá estão não precisam dar satisfações dos seus afazeres particulares? Às vezes. Mas Mendonça reuniu uma série de “indícios” e sugeriu o início de uma investigação contra o lustroso colega Alexandre de Moraes, que algumas vezes, em público, o desconcertou demonstrando grau de superioridade em tecnicidade. Podemos imaginar o quanto de ressentimento isso provocou em sua alma temente a Deus, mas ávida por ir à forra.
Alexandre de Moraes, por sua vez, o enredado no “dossiê” de Mendonça, não ficou tranquilo enquanto não puxou o colega para que, junto com ele, se explicasse publicamente, em uma sessão tumultuada, no dia 15 de setembro.
A sessão, com a anuência do presidente da Corte, Edson Fachin, não chegou a lugar algum, como sabemos. E, agora, por incrível que pareça, com a quebra real de sigilo do conteúdo dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm surgido cadáveres boiando no rio, mas não junto à margem esquerda, como Mendonça gostaria. E, sim, faltas com potencial de crimes mais para os lados da margem direita da sua turma.
Já apareceram férias milionárias, com retorno em processo de precatórios na casa de R$ 427 milhões. Dívida com garota de fino trato, no valor de R$ 10 mil. Contratos com avaliação de filhos de ministros em processos valiosos e pistas de mesadas de R$ 500 mil, para papai nenhum botar defeito.
Do outro lado, cenas em festas de alto luxo em Londres, com direito a performance de artistas, degustação de charutos caros e nudes, muitos nudes (cerca de cinco mil fotos e vídeos), de senhores com as nádegas de fora. Se Têmis fosse colocar na sua balança, ainda que com os olhos vendados, certamente classificaria de “moralismo hipócrita” o que se está dando a dimensão de crimes.
Transgressão, vergonha alheia, constrangimento, falta de decoro, promiscuidade e mais uma série de outros atributos caberiam aqui, nesta quadra de descortinar essa ala do Supremo. Mas, francamente, estou aqui tamborilando na bancada e esperando as investigações. Nesse Fla x Flu da Corte sobram Ohs! E Uis! Ótimos assuntos para uma boa fofoca. Principalmente sobre aqueles que terão muito a dizer em casa. Crimes, mesmo, com grana rolando e provas contundentes, ainda estão por vir à tona e carecem de provas. Até o final de outubro muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte. Resta saber se são temas para revistas masculinas ou para as lides do Tribunal.
Fonte: Brasil 247