Após deixar a Versace, Donatella volta ao jogo com nova cartada e lança marca própria

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Por Sara MagalhãesSeu Dinheiro

Donatella Versace não ficou longe da moda por muito tempo depois de sair da Versace. Aos 71 anos, a estilista anunciou nesta segunda-feira (21) sua nova empreitada no mercado de luxo: uma marca própria de moda e beleza, criada em parceria com o grupo californiano Revolve.

O anúncio feito em uma publicação no Instagram, veio, aliás, em um timing bastante estratégico, às vésperas da Semana de Moda de Milão. Na postagem, a estilista explicou que a novidade nasce com a intenção de se conectar a uma geração mais jovem.

“Acredito que a criatividade deve ser destemida, inclusiva e viva no mundo. Sempre fui inspirada pela próxima geração, na música, no cinema, na arte e, claro, na moda. Essa parceria me dá a liberdade de falar com essa geração de uma forma completamente nova e pessoal, através da beleza e da moda”, escreveu.

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Fora da grife que leva seu sobrenome

A “aposentadoria” durou pouco, afinal , a estilista volta à cena menos de dois anos depois de deixar o cargo de diretora criativa da Versace, posição que ocupava desde a morte do irmão, Gianni Versace, em 1997. Em março de 2025, ela deixou a função e passou a atuar como embaixadora da marca. Agora, retorna à criação em uma operação independente da grife que leva seu sobrenome.

Donatella passou quase 30 anos no comando criativo da Versace e se tornou uma das figuras mais reconhecidas da moda mundial. Ainda hoje, ela soma 12 milhões de seguidores no Instagram e mantém forte presença na cultura pop, inclusive por meio de celebridades que voltaram a vestir peças vintage da Versace em tapetes vermelhos.

O movimento da estilista acontece pouco depois de uma das maiores mudanças corporativas da história da Versace. Em dezembro de 2025, o Prada Group concluiu a aquisição da grife italiana por 1,25 bilhão de euros, após comprá-la da americana Capri Holdings.

A venda marcou mais uma mudança de mãos para a marca. Em 2018, porém, a família Versace já havia vendido 100% da grife por cerca de US$ 2,12 bilhões ao grupo americano que, posteriormente, passou a se chamar Capri Holdings. Sete anos depois, a Versace foi novamente negociada, desta vez por um valor inferior ao da transação anterior.

O mercado de luxo, aliás, vive um período de crise. As ações do conglomerado LVMH, dona de grifes como Dior, por exemplo, caíram 55% desde 2023 e a empresa deixou a lista das 10 mais valiosas da Europa. Mas, enquanto a Versace passa a escrever um novo capítulo sob o comando da Prada, Donatella começa outro por conta própria.

Donatella Versace e o irmão Gianni Versace, fundador da Versace, que foi morto aos 50 anos por um serial killer em 1997
Donatella Versace e o irmão Gianni Versace, fundador da grife, assassinado aos 50 anos por um serial killer em 1997 — Imagem: Reprodução/@donatella_versace

O que se sabe sobre a nova marca

A nova empresa será uma joint venture entre Donatella e a Revolve, varejista digital americana fundada em 2003. A empresa opera em um modelo semelhante ao da Farfetch no Brasil, com um e-commerce multimarcas global voltado à moda premium.

O nome da nova marca, porém, ainda não foi divulgado, e os primeiros produtos devem chegar ao mercado em 2027.

A operação vai reunir moda e beleza e terá como alvo uma geração que descobre produtos por meio de redes sociais, cultura pop e plataformas digitais. A empresa pretende atuar inicialmente nos Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio.

“Donatella tem um instinto extraordinário para o que a próxima geração quer e uma habilidade incomparável de conectar moda com cultura. É isso que torna essa parceria tão empolgante”, escreveu Raissa Gerona, Presidente de Marca e Parcerias do REVOLVE Group.

A aposta da Revolve

Do outro lado da sociedade está uma companhia que conhece bem o poder da internet na moda. A Revolve nasceu como uma varejista digital e hoje opera duas plataformas: a Revolve, voltada a marcas estabelecidas, e a FWRD, dedicada ao segmento de luxo e marcas emergentes.

Co-fundadores da Revolve Mike Karanikolas e Michael Mente
Co-fundadores da Revolve Mike Karanikolas e Michael Mente – Imagem: Yulia Gorbachenko

Em 2025, o grupo registrou US$ 1,23 bilhão em vendas líquidas, alta de 8% em relação ao ano anterior, segundo relatório divulgado no início deste ano pela companhia. O negócio Revolve respondeu por US$ 1,05 bilhão desse total, enquanto a FWRD faturou US$ 171,6 milhões.

A companhia também já vem se aproximando do modelo de transformar personalidades em negócios. A nova parceria com Donatella se soma a outros movimentos envolvendo nomes da cultura pop e do lifestyle, como Cardi B e Bella Hadid.

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Fonte: Seu Dinheiro

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