Gleisi aciona MPE contra Deltan, Barros e Chiquini por violência de gênero

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – A candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) acionou nesta quinta-feira (17) o Ministério Público Eleitoral contra Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo) por condutas que sua defesa classifica como violência política contra a mulher. O documento reúne publicações com referências sexualizadas, ataques à aparência e imagens produzidas por inteligência artificial dirigidas à petista. 

Nas eleições de outubro, Deltan e Barros disputarão as duas vagas para o Senado. Chiquini tentará um mandato na Câmara dos Deputados.

Segundo a notícia-crime, os advogados de Gleisi reuniram conteúdos divulgados entre março e setembro de 2026 no TikTok, Instagram e Facebook. A representação sustenta que Deltan e Filipe Barros concentraram parte relevante das publicações negativas na candidata, apesar da presença de vários homens entre os concorrentes às duas vagas paranaenses no Senado.

A defesa fundamenta o pedido no artigo 326-B do Código Eleitoral. A norma estabelece como crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou mulher com mandato por meio de menosprezo ou discriminação relacionados à condição feminina, cor, raça ou etnia, com o objetivo de impedir ou dificultar uma campanha ou o exercício do cargo.

A legislação prevê reclusão de um a quatro anos e multa. O Ministério Público Eleitoral ainda precisa apurar as acusações e decidir quais providências adotará. A representação cita, entre os episódios atribuídos a Dallagnol, um vídeo publicado em 22 de abril.

De acordo com o documento, o candidato mencionou codinomes associados a Gleisi em registros da Odebrecht, relacionou uma dessas referências a uma música e fez comentários sobre a aparência física da adversária. 

Os advogados da petista afirmam que a combinação desses elementos ultrapassou a crítica política e buscou desqualificá-la por meio de referências à sexualidade e ao corpo.

No caso de Filipe Barros, a notícia-crime relaciona diferentes publicações. Uma delas apareceu em março, após um discurso de Gleisi na Câmara dos Deputados. 

A defesa também cita um vídeo divulgado em agosto no qual Barros respondeu ao uso de uma onça como símbolo da campanha da petista e associou a candidata a diferentes animais. Segundo a representação, a peça empregou imagens produzidas por inteligência artificial.

Os advogados argumentam que essas representações visuais integram uma estratégia de degradação da imagem da candidata. A petição pede que o Ministério Público examine as publicações em conjunto, ao considerar a frequência, o conteúdo e o contexto eleitoral em que os responsáveis divulgaram as peças.

Jeffrey Chiquini aparece na denúncia por causa de uma gravação divulgada em 9 de setembro, após um julgamento do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná relacionado à candidatura de Dallagnol. 

De acordo com a petição, um grupo comemorou o resultado e, no fim do vídeo, um dos presentes gritou “CHUPA, GLEISI!”. Dallagnol olhou para a câmera e repetiu: “CHUPA!”. A defesa da candidata atribui conotação sexual à manifestação e pede a identificação das pessoas que participaram da gravação.

A notícia-crime sustenta que a análise jurídica deve considerar quatro elementos: a concentração das publicações contra Gleisi, as referências à sexualidade e à aparência, a ligação dos conteúdos com a campanha eleitoral e a continuidade das postagens ao longo da disputa. 

Os advogados relacionam esses fatores aos critérios que a Justiça Eleitoral utiliza para examinar possíveis casos de violência política de gênero. O TSE já apontou em decisões anteriores que ataques podem ultrapassar os limites da crítica política quando usam elementos de desqualificação ligados ao gênero.

A própria representação registra que a Justiça Eleitoral não acolheu todas as medidas anteriores apresentadas por Gleisi contra conteúdos divulgados por adversários. Em um dos casos mencionados, o TRE-PR considerou lícito um vídeo publicado por Filipe Barros, e a defesa da candidata recorreu. Em outro processo, o tribunal manteve multa de R$ 15 mil relacionada ao impulsionamento de conteúdo negativo contra a petista.

Entre as providências solicitadas, Gleisi pede que o Ministério Público Eleitoral requisite à Polícia Federal a abertura de investigação, preserve publicações, metadados e registros de acesso das redes sociais e identifique os participantes da gravação de setembro. A petição também requer perícia nas imagens produzidas por inteligência artificial e no vídeo que registrou o grito contra a candidata.

Após essas diligências, os advogados pedem que o Ministério Público avalie eventual denúncia pelo crime de violência política contra a mulher. 

A representação também aponta, de forma subsidiária, possíveis crimes eleitorais relacionados à divulgação de fatos sabidamente inverídicos, calúnia, difamação e injúria. A apresentação da notícia-crime inicia a análise do caso e não representa a condenação dos candidatos citados.

Fonte: Brasil 247

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