Campanha de Lula reforça: “Bolsonaros governam para milionários”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu intensificar, na reta final do primeiro turno, a comparação entre as agendas econômicas do petista e dos Bolsonaros, em uma ofensiva que busca apresentar Lula como defensor dos trabalhadores e Flávio Bolsonaro (PL) como herdeiro político de um projeto voltado aos mais ricos.
Segundo a coluna de Jussara Soares, da CNN Brasil, a estratégia ganhou força após o anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família, feito nesta quinta-feira (17), a 17 dias da votação. Com a medida, o valor mínimo do benefício passará de R$ 600 para R$ 691 e deverá atender cerca de 19,3 milhões de famílias.
A avaliação da campanha petista é que o reajuste permite recolocar a economia e o bolso do eleitor no centro do debate, após semanas em que a crise no Supremo Tribunal Federal, relacionada ao caso Master, ocupou espaço relevante na agenda pública. O objetivo é fazer Lula chegar ao fim do primeiro turno em vantagem sobre Flávio e evitar que o candidato do PL avance à segunda etapa da disputa à frente do presidente.
A nova linha da propaganda eleitoral deve combinar a defesa de programas sociais com ataques ao legado econômico do governo Jair Bolsonaro. Uma das peças compara a inflação dos alimentos durante a gestão do ex-presidente com medidas anunciadas por Lula, como imposto zero para produtos da cesta básica, incluindo carne, frango e itens de higiene.
Outra peça explora a isenção de impostos para jet skis e jatinhos durante o governo Bolsonaro. A campanha pretende usar esse contraste para sustentar a mensagem de que os adversários priorizam os mais ricos. “Eles governam para os milionários. A gente governa para você, que é trabalhador”, afirma a propaganda.
O material também destacará propostas e medidas vinculadas à renda da população, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a desoneração da cesta básica e a redução de impostos sobre medicamentos. Segundo a campanha, essas medidas passam a valer em 1º de janeiro.
A ofensiva ocorre em meio à preocupação no PT com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado nesta quinta-feira mostra empate técnico entre Lula e Flávio nos dois turnos. No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, ante 36% do candidato do PL. Augusto Cury (Avante) registra 6%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Em uma eventual disputa de segundo turno, o Datafolha aponta Lula com 46% e Flávio com 44%, também em situação de empate técnico. O cenário reforçou, no comando da campanha petista, a necessidade de reorganizar a comunicação nos últimos dias antes da votação.
Além da pauta econômica, o QG de Lula adotou o mote “Falar é Flávio. Fazer é Lula”. A ideia é apresentar o presidente como um político experiente, com histórico de entregas, e contrastar essa trajetória com a de Flávio, que nunca ocupou cargo no Executivo. A campanha também pretende retomar comparações com a gestão de Jair Bolsonaro.
O PT ainda deve manter ataques relacionados ao Banco Master. A campanha seguirá tentando associar Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, em razão da investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Do lado bolsonarista, a avaliação é diferente. A campanha de Flávio sustenta que o senador conseguiu pautar a discussão sobre economia e o bolso do eleitor antes do PT. Integrantes do QG do candidato do PL afirmam que essa movimentação teria obrigado Lula a ajustar sua estratégia nos 17 dias finais antes do primeiro turno.
Com o reajuste do Bolsa Família, a campanha petista tenta transformar uma medida de impacto direto na renda de milhões de famílias em eixo central da disputa eleitoral. A aposta é que o contraste entre programas sociais, desoneração de itens básicos e benefícios fiscais concedidos no governo Bolsonaro ajude Lula a recuperar a iniciativa política em um momento de acirramento da corrida presidencial.
Fonte: Brasil 247