Na ONU, Lula defenderá eleição, rebaterá Trump e não descarta ‘esbarrão’

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Por Jamil ChadeICL Notícias

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subir no púlpito da ONU, na próxima terça-feira, ele não tocará no nome de Donald Trump. Mas interlocutores do Palácio do Planalto garantem: na sala lotada das Nações Unidas, todos vão entender quem será o destino dos recados do brasileiro.

O presidente, segundo observadores, “não irá fingir que as coisas que estão ocorrendo não estão ocorrendo”. Em outras palavras, os ataques americanos contra a região, a ingerência na eleição e a militarização serão respondidos.

Com o tema de soberania e democracia no roteiro, Lula deixará claro que não aceita nem a violação do direito internacional e nem a ingerência de potências em assuntos domésticos nacionais. Ele ainda defenderá as instituições brasileiras e insistirá na credibilidade do processo eleitoral do país.

O teor dos recados, desta vez, não será direcionado apenas a Trump. Na mensagem subliminar, o discurso também pode ser entendido como uma resposta a argentinos ou israelenses, considerados como pontos de lança da ingerência da extrema direita global.

Para pessoas próximas à presidência, o modelo usado por Lula no ano passado no discurso da ONU foi suficientemente claro e deve ser repetido em 2026. Naquela ocasião, ele afirmou que a soberania brasileira é “inegociável” e que o país não aceitaria uma “tutela”.

Desta vez, a omissão ao nome de Trump será mantido. Os recados serão firmes, mas com diplomacia.

A intenção de Lula de não deixar a situação com os EUA passar sem uma resposta foi reforçada depois que, na quarta-feira, Trump publicou críticas contra o Brasil no que se refere ao combate ao crime organizado. Para o governo, o documento é “grave” e indica que novas sanções poderiam estar sendo preparadas contra o país.

Por isso, Lula deve apresentar na ONU sua visão do combate ao crime organizado, insistindo que modelos militaristas fracassaram. Para ele, não basta falar de operações, sem lidar com o consumo das drogas que ocorre nos EUA. Para ele, é a cooperação que vai eventualmente dar uma resposta à crise.

O governo ainda vincula o ato de Trump desta semana com uma possível ingerência na eleição nacional. Por conta do peso no mundo do processo democrático do Brasil e do interesse internacional pela situação no país, Lula deve usar o discurso para insistir que as instituições da democracia no Brasil estão funcionando.

A avaliação é de que Lula não poderia se omitir na defesa da eleição e da credibilidade das instituições.

Pelo mundo, as turbulências dos últimos dias no STF e as ações do clã Bolsonaro nos EUA têm causado preocupação de embaixadas estrangeiras.

Não se descarta ainda que, se ministros do STF forem alvos de sanções por parte dos EUA, Lula voltará a defender a instituição. O tema, porém, é delicado. O governo admite que uma das estratégias da extrema direita é a de colar em Lula a imagem de que está defendendo Alexandre de Moraes.

O presidente brasileiro, assim como ocorreu em 2025, não poderá ficar em silêncio caso sejam restabelecidas as sanções previstas pela Lei Magnistky nos EUA.

Lula também já indicou que, se houver um encontro informal entre ele e Trump, está disposto a cumprimentá-lo e trocar algumas palavras. O governo, porém, não acredita que exista tempo e nem interesse para uma reunião.

Ambos estarão na mesma sala de espera, na parte de trás do palco da ONU. Lula faz o primeiro discurso, seguido por Trump. O encontro é, portanto, quase inevitável.

Em 2025, porém, até mesmo esse encontro informal teve de ser organizado. Naquele momento, havia uma crise instaurada por parte de Trump contra o Brasil. Negociadores, portanto, agiram nos bastidores para permitir que o encontro de menos de um minuto ocorresse sem um constrangimento para nenhuma das partes.

O governo brasileiro acredita que, desta vez, essa preparação não seja necessário. Os dois líderes estiveram juntos no G7, falaram por mais de uma hora em julho ao telefone e Lula esteve na Casa Branca no primeiro semestre do ano.

Lula chega no final de domingo em Nova York e, menos de 48 horas depois, voltará para o Brasil. O presidente não quer dar sinal de que está se descuidando da campanha eleitoral.

O presidente já recebeu mais de 30 pedidos de encontros bilaterais com líderes estrangeiros. Mas ainda não fechou a lista das reuniões.

O gabinete de Lula, porém, confirmou que ele deve se encontrar com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, adversário de Trump.

Alas do governo brasileiro chegaram a apontar que o encontro com o democrata poderia causar algum tipo de mal-estar na relação com Trump. Mas diante da decisão do presidente norte-americano de receber Flávio Bolsonaro, Lula considera que não há qualquer crítica que possa ser feita contra ele.

Além do regime ilegal, trabalhador relatou falta de higiene, constrangimentos e comida estragada

Fonte: ICL Notícias

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