Para salvar Bolsonaro, Trump exigiu que ‘dissidentes políticos’ participassem de eleição no Brasil

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Por Jamil ChadeICL Notícias

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

 

O governo de Donald Trump exigiu que “dissidentes políticos” fossem autorizados a participar das eleições presidenciais de 2026, no Brasil, como condição para reduzir as tarifas impostas contra bens brasileiros.

A condição fez parte de uma das propostas enviadas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ainda em 2025 e que lista 21 pedidos ao país. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo ICL Notícias. No documento, exigia-se ainda que pessoas que tivessem supostamente sido “arbitrariamente detidas” pudessem ser soltar para participar do pleito.

O documento condicionava a retirada de tarifas a um compromisso do Brasil por “eleições livres e justas” em 2026. O governo ainda deveria se comprometer a “não realizar prisões arbitrárias ou limitar a participação no processo eleitoral por parte de dissidentes políticos”.

De acordo com negociadores brasileiros, o tema jamais prosperou, já que foi considerada como inaceitável como base de uma tratativa com o governo Lula. O documento, de outubro de 2025, acabou sendo abandonado e o chanceler Mauro Vieira indicou que o Brasil não teria condições sequer de debater essas propostas.

Naquele momento, Trump falava abertamente sobre uma ofensiva que estaria ocorrendo para julgar Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado. O gesto foi considerado como uma ingerência na política doméstica nacional e o Brasil não cedeu.

Na avaliação de interlocutores, a proposta americana foi o primeiro sinal concreto por parte da Casa Branca de uma ingerência para ajudar a família Bolsonaro. O texto traz, no fundo, um reconhecimento do argumento usado por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo de que existiria uma suposta “ditadura” no Brasil.

As tarifas de 50% colocadas sobre produtos nacionais ainda poderiam ser retiradas se o Brasil aceitasse comprar aviões da Boeing, uma exigências que também havia sido feita para um acordo comercial com o Reino Unido e outros países.

Nas 21 exigências, os EUA ainda pediam que o Brasil se comprometesse a informar sobre todos os embarques de terras raras destinadas para a China.

Segundo diplomatas, a aceitação da proposta seria uma “capitulação” do sistema político, da soberania e da Justiça do Brasil.

No final daquele mês, Lula e Trump teriam seu primeiro encontro, na Malásia, e o tema jamais entrou na agenda.

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Fonte: ICL Notícias

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